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João Pinho

A gestão da floresta: V – a azinheira

7 de Dezembro 2017

A azinheira (Quercus rotundifolia), também conhecida como azinho, sardão ou sardoeira, é uma árvore de copa ampla, densa, ovóide ou arredondada, nativa da região Mediterrânica da Europa e Norte de África, pertencente à família das fagáceas, cujos exemplares mais exuberantes chegam a medir para cima de 10 metros de altura.

Constitui uma árvore muito abundante em Portugal, semeada ou plantada, ocupando 11 por cento da área florestal nacional, adquirindo uma maior importância no interior alentejano, onde forma povoamentos denominados montados de azinho (sistema agro-florestal extensivo), quase sempre em associação com uma cultura agrícola ou pastagem.

É um símbolo florestal de robustez: as suas características, ecologia e utilizações, mostram estar bem adaptada aos meios secos e agrestes do interior, suportando situações de temperatura alta e secura extremas, apresentando grande resistência ao fogo.

Em muitos locais da sua área de eleição, surge associada a outros arbustos, formando um matagal que constitui a única protecção do solo, não sendo raro surgirem em povoamentos mistos com sobreiro.

Referenciada deste o tempo dos romanos, as suas bolotas doces foram, durante séculos, um relevante alimento para a sobrevivência humana: misturadas com trigo e outros cereais assim se fabricava pão em anos de escassez, sendo por vezes assadas do mesmo modo que as castanhas. A sua casca, principalmente a das árvores jovens, foi também muito apreciada para curtimento de peles.

Nos nossos dias, a azinheira, à semelhança do sobreiro ou do castanheiro, tem um elevado potencial económico e social que deve merecer uma atenção continuada por parte dos nosso governantes:

– Por um lado, as referidas bolotas são alimento base para porcos denominados de montanheira. São estes porcos de cor preta que produzem um presunto de alto valor comercial, o de pata-negra. As folhas mais baixas, ou deixadas no solo como resultado de podas ou desbastes, servem como complemento de alimentação para o gado nas épocas do ano em que o pasto escasseia.

– Por outro lado, a sua madeira é dura e compacta, resistente à putrefacção e polimento, sendo largamente utilizada, desde a antiguidade até aos dias actuais, na construção de habitações (vigas e pilares), embarcações, barris para envelhecimento de vinhos e na fabricação de ferramentas. A sua madeira é, também, utilizada como lenha e na fabricação de carvão.

A longevidade da azinheira é muito elevada, pois já se detectaram exemplares milenares e são frequentes os que ultrapassam os 700/800 anos, atingindo o máximo de produtividade entre os 50 e os 100 anos.

A medicina popular atribui aos frutos da azinheira propriedades curativas para problemas intestinais diversos, como diarreias e desinterias.

A azinheira é uma das poucas árvores que, por ser valiosa, tem uma protecção em Portugal, desde a publicação do Decreto-Lei n.º 169/2001.

(*) Historiador e investigador