Coimbra  20 de Agosto de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

A força da mensagem, ou das armas?

20 de Abril 2017

Num tempo em que se assiste ao recrudescimento da corrida ao armamento, em que se ouve constantemente falar em guerra, as palavras de apelo ao bom senso parecem cair no vazio.

Quando os conflitos proliferam foca-se a atenção no poder bélico e esquece-se que eles resultam para tentar vencer ideias, opor-se a mensagens, a convicções, à religião.

A nível mundial são mais que conhecidos casos em que os “senhores” da guerra acabaram por perder e desapareceram, enquanto as ideias que combateram ainda permanecem e estão vivas.

Peguemos, por exemplo, no fenómeno religioso de Fátima, que está na ordem do dia pela comemoração do centenário, a visita do Papa e vários livros que estão a ser lançados sobre o assunto.

Fátima está longe de ser uma simples fraude, pois se o fosse, já há muito teria sido provada, e é, antes, uma complexa questão de fé que merece ser estudada sob vários ângulos” – consideram os reconhecidos historiadores José Eduardo Franco e Bruno Cardoso Reis, que acabam de apresentar uma obra sobre este “lugar sagrado que se tornou global”.

Por outro lado, os dois historiadores rejeitam o “preconceito de que as religiões são uma superstição irrelevante na época contemporânea”. “Quem ainda mantém essa crença na irrelevância das fés religiosas não tem prestado atenção ao que se tem passado no mundo nas últimas décadas”, sentenciam os autores, segundo os quais “subestimar o poder das ideias e das convicções e olhar apenas para o poder na sua dimensão puramente militar é algo que cada vez tem menos defensores, até no campo da estratégia política e militar”.

Do choque entre convicções religiosas e convicções laicas não deveria resultar a “intermediação” das armas, mas sim das palavras. Cada um tem uma determinada fé, ou não, mas não precisa de a impor ao outro. Como seria bom o respeito pela diferença.