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UFC: “Somos Coimbra” questiona acordo com coligação

3 de Outubro 2018

O movimento “Somos Coimbra” questiona a continuidade do acordo com a coligação de Centro-Direita, cujo alcance dá suporte à composição da Junta da União de Freguesias de Coimbra (UFC).
Interpelado pelo “Campeão”, o vereador José Manuel Silva disse que “a política de contratações” da UFC “não respeita os preceitos éticos” do movimento cívico, motivo por que “está a ser avaliada” a manutenção do acordo com a coligação “Mais Coimbra”.
José Manuel Silva assistiu, quinta-feira, à mais recente reunião da Assembleia da União de Freguesias de Coimbra, onde foram debatidos reparos da CDU e do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) acerca de aspectos da gestão da referida Junta.
Membros de “Somos Coimbra”, Manuel Lobão e Afonso Madeira são, respectivamente, vogal do órgão executivo e presidente da Mesa da Assembleia da UFC.
Como noticiou, sexta-feira, o “Campeão”, através da edição electrónica, a CDU acusa a Junta da União de Freguesias de Coimbra de “nepotismo e compadrio”. O líder da autarquia, João Francisco Campos (PSD), diz que a acusação não passa de “baixa política”.
A coligação PCP/PEV pôs em xeque o órgão executivo, na véspera de uma reunião da Assembleia da UFC, e João Francisco alega ter havido “insinuações falsas entre questões que podiam ter sido esclarecidas” naquela sessão da Assembleia.
Os alegados “compadrio” e “nepotismo” (favorecimento de familiares) são associados pela coligação PCP/PEV à contratação de uma cunhada de João Francisco para desempenhar tarefas de psicóloga e de um dirigente do PSD, tido pela CDU como proprietário de uma empresa unipessoal prestadora de serviços à União de Freguesias de Coimbra.
Sobre a contratação da cunhada, Campos diz não ter intervindo na votação, no âmbito do órgão executivo da UFC, e garante que ela está a usufruir de subsídio de desemprego, razão por que aufere da Junta pouco mais de 200 euros mensais.
“Ninguém irá ingressar no quadro de pessoal da Junta sem realização de concurso”, acentua o autarca.
Quanto a José Marques (o sobredito dirigente do PSD), Campos nega que ele seja proprietário de uma sociedade unipessoal.
Acresce, segundo a Coligação Democrática Unitária, que a UFC “efectuou uma candidatura ao programa PARTIS 2019 -21, com a Fundação de Calouste Gulbenkian, em que a Junta entra com um financiamento de cerca 35 000 a 40 000 euros, auferindo o coordenador (João Francisco) a quantia de 5 600 euros”.
“Neste projecto”, prossegue a CDU, “também são remuneradas a psicóloga Catarina Batanete (5 276,70 euros), a assistente social Ana Simões (5 276,70 euros) e José Marques 4 575 euros)”.
“Não vou receber um cêntimo”, disse ao “Campeão” João Francisco Campos.
A União de Freguesias de Coimbra candidatou-se em parceria com a Associação de Música da cidade e uma associação leiriense, cabendo à Fundação de Calouste Gulbenkian co-financiar o PARTIS em 70 por cento e à autarquia em 30 por cento.
“Acontece que esta comparticipação pode ser em espécie, e é o caso, através de tempo que nós disponibilizamos”, sustenta Campos, vincando que “os montantes envolvidos não são mais do que a quantificação da referida espécie”.
Acordos outorgados com várias entidades no âmbito de parcerias subscritas pela UFC abrangem, por exemplo, o “Diário da Saúde”, representado pelo proprietário do portal Notícias de Coimbra, Fernando Moura, e a sociedade “Like a lot”, cuja gerência se fez representar pelo secretário distrital do PSD/Coimbra, José Marques.
Intitulado “Práticas artísticas para a inclusão social”, o PARTIS visa contemplar o projecto “Voar com as primaveras”, que pretende “resolver um problema crescente (…) como a melhoria da qualidade de vida de uma população específica e recuperação de algumas competências, como sendo os idosos autónomos e dependentes em contextos de lar e apoio domiciliário e ainda de pessoas portadoras de Alzheimer e em cuidados continuados”.

Segundo a candidatura ao PARTIS, existe “uma quase ausência de actividades e projectos artísticos para este tipo de população mais dependente”.
Sob o título “Nepotismo empreendedor”, Helena Loureiro, eleita por Cidadãos por Coimbra (CpC) para a Assembleia da UFC, diz que os órgãos executivos, mediante acordos de governação com o PS (2014 -17) e com o movimento “Somos Coimbra” (2018 -21), “tomaram medidas contrárias aos princípios básicos da democracia”.
Trata-se, segundo a autarca, de um “estilo que passou de autoritarismo serôdio e paralisia incompetente” do anterior timoneiro da Junta “para o que parece ser nepotismo descarado (…), mascarado de empreendedorismo, socialmente atento do actual presidente”.
A autarca de CpC conclui que o movimento “tem seguido atentamente a actividade visível do órgão executivo” e louva o que considera serem “diferenças positivas relativamente à actuação da anterior Junta, objectivamente refém do então presidente Helder Abreu”.
Com dois assentos na Assembleia da UFC, o movimento “Somos Coimbra” (também representado no órgão executivo) tornou-se a terceira força política no território das antigas freguesias de Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e S. Bartolomeu à custa do recuo dos mandatos de CpC e da CDU.
Cidadãos por Coimbra e CDU – que, no anterior quadriénio, possuíam dois mandatos – têm, agora, um assento, cabendo quatro ao PS e cinco à coligação “Mais Coimbra” (PSD – CDS – PPM – MPT).

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