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UC: Estudo mundial ajuda a combater efeitos do clima na agricultura

14 de Março 2018

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) participa no estudo internacional “ECOSERVE”, que está a avaliar os efeitos das alterações climáticas na agricultura.

A equipa da UC, coordenada pelo cientista José Paulo Sousa, do Centro de Ecologia Funcional (CEF), apurou algumas medidas que podem mitigar estes efeitos, já que “os eventos climáticos extremos vão ser cada vez mais frequentes e de maior duração”, sublinha o investigador. “Os agricultores vão ter de se adaptar, encontrando novas formas de gestão agrícola e agroflorestal por forma a tornar este sector mais resiliente às alterações climáticas”, adianta.

Uma das medidas anunciadas, nomeadamente para períodos prolongados de seca, poderá passar pela “utilização de variedades de plantas cultiváveis com as características mais adequadas para promover o sequestro de carbono no solo, de modo a aumentar o uso eficiente da água e dos nutrientes. Um maior teor de carbono no solo implica uma maior capacidade de o solo reter água e disponibilizá-la para as plantas, logo menor é a necessidade de rega”, afirma José Sousa.

Este estudo comprovou, também, que o tipo de agricultura praticada influencia o sequestro de carbono no solo. Segundo os investigadores, “os sistemas de cultivo orgânicos, sistemas em que a utilização de químicos é muito reduzida e onde os resíduos de uma cultura são utilizados como fonte de matéria orgânica para a cultura seguinte, originam maiores stocks de carbono no solo do que sistemas de cultivo convencionais”.

José Paulo Sousa explica que “este facto está intimamente relacionado com as características das espécies cultivadas, especialmente com a facilidade com que os resíduos destas espécies se decompõem e são posteriormente incorporados no solo”, ou seja, “temos espécies ou variedades que influenciam de forma positiva a quantidade e qualidade dos stocks de carbono no solo”.

Através de uma meta-análise global, complementada com medições em campo, a equipa relacionou as “características de diferentes espécies cultivadas com as respostas dos stocks de carbono nos dois tipos de cultivo, tendo encontrado relações significativas entre a presença de espécies que originam resíduos da cultura mais recalcitrantes, normalmente utilizadas em cultivos orgânicos, e maiores stocks de carbono”, nota o também docente da FCTUC.

Os resultados deste estudo são importantes, já que “fornecem pistas para possíveis medidas de mitigação dos efeitos de alterações climáticas na agricultura”, informando os agricultores sobre que variedades de espécies poderão cultivar, mediante o clima, de forma a mitigar estes efeitos e, assim, aumentar o ‘stock’ de carbono no solo e o uso eficiente da água e dos nutrientes.

O trabalho científico “ECOSERVE”, já publicado na revista “Journal of Applied Ecology”, envolve esta equipa da UC mas, também, investigadores de Espanha, França, Holanda, Suécia e Suíça.

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Fotos: Marta Costa