Coimbra  20 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Trouxemil e Torre de Vilela queixam-se de discriminação da autarquia

11 de Agosto 2017

“Boicote puro e nítido abuso de poder”. É desta forma que Ricardo Rodrigues, presidente da União das Freguesias (UF) de Trouxemil e Torre de Vilela, classifica a atitude da Câmara Municipal de Coimbra, por não levar à apreciação do executivo, a proposta das obras para aquelas freguesias, no âmbito dos contratos interadministrativos.

O édil refere-se a obras que “deveriam ter sido contratadas com aquela União de Freguesias para 2016 e 2017, reformuladas de acordo com o solicitado pela Câmara e respeitando o valor total autorizado pela Assembleia Municipal”. Essas propostas, enviadas no final de Julho e início de Agosto para a autarquia, foram sujeitas a reformulações (depois de as propostas iniciais não terem sido aceites em Março), tendo o executivo da UF abdicado de “algumas obras reivindicadas pelas gentes destas terras para que nos deixassem fazer as outras, mas que mesmo assim a Câmara Municipal, e o seu presidente, não teve a dignidade e a consciência de agendar para a ultima sessão, que se realizou na passada segunda feira (07)”, explica Ricardo Rodrigues, em comunicado.

Na sessão, o vereador do PSD, Barbosa de Melo, colocou a questão mas “uma vez mais, o presidente Manuel Machado não deu qualquer explicação para esta postura da Câmara e para o não agendamento das propostas reformuladas pela UF, na sequência do solicitado em reunião realizada no Gabinete de Apoio às Freguesias da autarquia”, sublinha o autarca de Trouxemil e Torre de Vilela.

Ricardo Rodrigues admite que, quanto a estas obras, no valor total de 58 995 euros, já nada poderá ser feito, uma vez que “o presidente assim o decidiu por castigo, ainda não se sabe bem de quê, mas que o tempo explicará”, garantindo que tudo fará “junto de todas as instituições possíveis para que esta gente seja castigada e penalizada pelas barbaridades que fizeram e pelos prejuízos que nos causaram” e com a certeza de que “muito em breve se saberá quem na sombra os ajudou e quem sob a capa da aparente seriedade fez o jogo desta gente”.

A UF recorda, ainda, que relativamente às obras propostas em 2015, nunca foi recebido qualquer projecto da obra de “Requalificação do Largo do Poço na localidade de Fornos”, “a qual previa a materialização de medidas de limitação de velocidade para viaturas, que aí circulam com muita velocidade e motivaram desde logo muitas queixas da população local”. Sobre as restantes obras aprovadas para 2014 e 2015, “só em Abril e Maio passados” foram disponibilizados os respectivos projectos técnicos, algumas quase três anos depois do contrato assinado entre a UF e a Câmara Municipal.

O autarca pondera não avançar com os concursos das obras em questão, já que receiam mais problemas e “não sendo a actual autarquia representada por pessoas de bem, provavelmente, só irá criar mais confusões e problemas”, deixando a certeza de que “em breve” decidirão o que fazer.

Recorde-se que Ricardo Rodrigues (PSD) não se recandidata ao cargo, passando o testemunho ao tesoureiro Aires Leitão, que é o candidato à União de Freguesias pela coligação “Mais Coimbra”.

Segundo a coligação “Mais Coimbra”, a limpeza dos espaços públicos é uma das prioridades do plano de acção do candidato a timoneiro da Junta da UFTTV, tratando-se de “uma competência” pertencente, desde 2015, à CMC, “que não [a] assumiu de forma capaz”.