Coimbra  16 de Agosto de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Terapia fotodinâmica aplicável a infecções dentárias

14 de Maio 2018

João Miguel Santos, Patrícia Diogo e Teresa Gonçalves

 

Um estudo de investigadores da Faculdade de Medicina de Coimbra e do Centro de Neurociências mostra que a terapia fotodinâmica é eficaz no tratamento de infecções dentárias, revelou, hoje, a Universidade.
Um dos grandes problemas actuais do tratamento endodôntico, comummente conhecido como desvitalização do dente, consiste em garantir a completa destruição dos biofilmes microbianos – populações complexas de microrganismos que se formam no interior dos canais da raiz do dente e que provocam infecção – por forma a assegurar o sucesso da intervenção.
Por isso, segundo a Universidade de Coimbra, o estudo desenvolvido no âmbito do trabalho de doutoramento de Patrícia Diogo focou-se em explorar novas estratégias terapêuticas e compará-las com as técnicas convencionais.
A terapia fotodinâmica, já aplicada com sucesso no tratamento de vários tipos de cancro, caracteriza-se por ser uma terapia não invasiva, que permite eliminar diferentes células, envolvendo a combinação de um foto-sensibilizador (medicamento) activado com uma fonte de luz inofensiva.
Neste estudo, os investigadores testaram, pela primeira vez, um derivado de clorofila extraída de uma alga como foto-sensibilizador. E os resultados foram altamente promissores, revelou a UC.
Da intensa bateria de testes realizados, primeiro em materiais de laboratório e posteriormente em material dentário humano colhido na prática clínica, “um foto-sensibilizador, constituído por uma molécula de clorofila modificada, revelou-se muito mais eficaz relativamente às técnicas clássicas usadas actualmente na prática clínica”, revelam os coordenadores do estudo, João Miguel Santos e Teresa Gonçalves.
Considerando que “os biofilmes microbianos são a principal causa de infecção da raiz do dente, e que o sucesso da desvitalização depende da completa eliminação deles”, os investigadores estão optimistas: “a aplicação da terapia fotodinâmica na Medicina Dentária apresenta-se como uma estratégia de futuro”.
Para se ter uma ideia da dimensão da maleita, estudos anteriores demonstraram que mais de 50 por cento da população com idade superior a 50 anos sofre deste tipo de infecções. Por isso, concluem João Miguel Santos e Teresa Gonçalves, é “essencial apostar em abordagens avançadas para combater este problema e aumentar a taxa de sucesso do tratamento endodôntico”.
O estudo, que teve a colaboração da Universidade de Aveiro e da Universidade Federal de S. Carlos (Brasil), foi desenvolvido ao longo de três anos e envolveu 13 investigadores de áreas do saber distintas (médicos dentistas, microbiologistas e químicos).