Coimbra  21 de Julho de 2017 | Director: Lino Vinhal

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SRCOM critica ausência de concurso público para médicos de família

17 de Julho 2017

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considera que o Ministério da Saúde está a “travar” a colocação de 52 médicos de família na região, através da ausência de concurso público para recém-especialistas.

A SRCOM critica o “desprezo” da tutela para com os 290 médicos recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar que, há três meses, aguardam a publicação do mapa de vagas por unidades funcionais dos Agrupamentos de Centros de Saúde.

No total, na região Centro, são 52 os médicos que esperam a abertura do concurso público, período em que já poderiam estar a prestar cuidados de saúde a quase 99 000 utentes. Já a nível nacional, segundo a Ordem, são mais de 500 000 os utentes que ficariam com médico de família, dos cerca de 800 000 que actualmente não têm qualquer clínico atribuído.

Para Carlos Cortes, presidente da SRCOM, “é inconcebível esta inércia do Ministério da Saúde”, acrescentando que “os recém-especialistas já deveriam estar a contribuir para a diminuição do número de utentes sem médico de família”.

“Pior: estes jovens médicos acabam por desmoralizar e tentar outras vias para além do Serviço Nacional de Saúde”, sublinha Carlos Cortes que há muito exorta para a celeridade e transparência dos procedimentos concursais dos recursos humanos médicos.

O responsável pela Secção Regional do Centro afirma, ainda, que segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde, “no primeiro trimestre deste ano, mais de 800 000 utentes não tinham médico de família atribuído”.

“Há precisamente três meses, desde a conclusão das provas referentes ao exame para a obtenção do grau de especialista em Medicina Geral e Familiar, que os mais jovens médicos de família aguardam pela abertura de concursos”, realça, adiantando que “o impacto negativo deste atraso é tremendo e os doentes são os mais prejudicados, nesta que é uma situação intolerável”.