Coimbra  20 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Sono irregular potencia obesidade nos rapazes

16 de Abril 2018

Um estudo, acabado de divulgar pela Universidade de Coimbra, revela que as crianças do sexo masculino com maus hábitos de sono apresentam risco muito elevado de obesidade.
O estudo foi realizado por uma equipa do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.
Com base em recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016), que estabelece a duração adequada de sono entre nove e 12 horas por noite para as crianças dos seis aos 12 anos de idade, a investigação visou analisar a relação entre os hábitos de sono irregulares e o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica portuguesa.
Os investigadores estudaram os hábitos de sono de 8 273 crianças (4 183 do sexo feminino), bem como a actividade física e os  comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador), através de questionários preenchidos pelos pais. Foram também avaliadas algumas variáveis antropométricas, como a estatura e o peso das crianças e calculado o seu índice de massa corporal (IMC).
As associações entre os hábitos de sono e o risco de excesso de peso e obesidade para meninos e meninas foram realizadas separadamente.
Os resultados, publicados no American Journal of Human Biology, evidenciam que os rapazes com hábitos de sono irregulares para a sua idade (isto é, quer abaixo de nove horas por noite quer acima de 12, durante a semana) têm 128 por cento de maior probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso, afirma o investigador Aristides Machado-Rodrigues.
Curiosamente, tal como em alguns estudos anteriores, entre as raparigas, não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim-de- semana, indica o investigador do CIAS, realçando, no entanto, que “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados para a infância é um aspecto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.
A obesidade é considerada uma das epidemias do século XXI pelo facto de estar associada a inúmeras cormobilidades, especialmente de natureza metabólica e cardiovascular.
As conclusões deste estudo, que está inserido numa investigação mais ampla sobre Prevalência da Obesidade na Infância em Portugal, coordenada por Cristina Padez e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), chamam a atenção para a necessidade de esforços adicionais no sentido de controlar os hábitos de sono durante a semana, especialmente entre os rapazes.
Aristides Machado-Rodrigues enfatiza que “os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’; das crianças, para que elas possam desfrutar do tempo de sono diário recomendado para a saúde”.
“Na actualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação com os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono
recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, adverte o investigador.

Aristides Machado Rodrigues - FCTUC

Aristides Machado-Rodrigues

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