Coimbra  13 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Saúde: Mário Centeno lamenta que talvez haja má gestão

14 de Março 2018

O ministro das Finanças lamentou, hoje, no Parlamento, que possa haver situações de má gestão no Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo preconizado que, caso existam, hão-de ser avaliadas.

“Pode, seguramente, haver má gestão; (…) temos de olhar para ela”, disse Mário Centeno, perante a Comissão de Trabalho da Assembleia da República (AR).

A declaração do titular da pasta das Finanças surgiu após uma observação do deputado do PSD Álvaro Baptista de que a elevada dívida e os pagamentos em atraso do SNS se ficam a dever a má gestão.

Segundo o antigo ministro dos Assuntos Sociais, António Arnaut, criador do Serviço Nacional de Saúde, o desperdício deverá corresponder a mais de 20 por cento do montante dos encargos.

Mário Centeno declarou, ainda, tratar-se de um aspecto a preocupar o XXI Governo e que por isso foi criada uma “unidade de missão para repensar todo o processo de criação de dívida” no âmbito do SNS.

Para o governante, a dívida também tem origem em mais investimento na Saúde, referindo que “os recursos dedicados, hoje em dia, ao SNS são superiores aos alocados, por exemplo, em 2015.

Segundo a Direcção-Geral do Orçamento, há mês e meio, cifrava-se em 951 milhões de euros o montante de pagamentos em atraso dos hospitais cujo figurino é o de entidade pública empresarial. Os pagamentos em atraso referem-se a contas por pagar há mais de três meses.

O Governo tem vindo a dizer esperar, este ano, uma “redução pronunciada” da dívida, desde logo devido ao reforço de capital de hospitais no valor de 500 milhões de euros.

O recente aumento do capital estatutário do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, no montante de 67,20 milhões de euros, foi “apenas para pagar esmagadoras dívidas”, disse, há dias, o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.

O líder do PSD anunciou, entretanto, que o Grupo Parlamentar social-democrata vai solicitar, com carácter de urgência, um debate na AR sobre o estado da saúde, no pressuposto de haver “uma gestão muito deficiente”.

“É claro que o Ministério da Saúde não tem estado capaz de gerir os meios postos à sua disposição e, portanto, a produtividade é muito baixa em prejuízo das populações; ora, isso justifica que se faça um debate a sério”, declarou Rui Rio.

O dirigente partidário defende ser necessário “contratualizar menos com os [agentes] privados e fazer melhor dentro do serviço público”.

“Nós não vamos fazer demagogia (…), mas devemos exigir ao Governo aquelas condições que Portugal está capaz de dar”, disse Rio, em cujo ponto de vista urge assegurar a “optimização dos recursos”.

 

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