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Rui Vieira Nery é o vencedor do Prémio Universidade de Coimbra 2018

18 de Janeiro 2018

O musicólogo, historiador cultural e professor universitário Rui Vieira Nery foi, hoje, distinguido com o Prémio Universidade de Coimbra 2018.

Numa cerimónia realizada na Sala do Senado da UC, o reitor João Gabriel Silva anunciou o nome do vencedor, licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa e doutorado em Musicologia pela Universidade do Texas, Estados Unidos da América.

Rui Vieira Nery, antigo secretário de Estado da Cultura, é docente na Universidade Nova de Lisboa e director do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas.

Entre os mais diversos cargos que desempenhou, destaque para o de comissário das Comemorações do Centenário da República Portuguesa e de presidente da Comissão Científica da candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO).

“O Prémio Universidade de Coimbra, no valor de 25 000 euros, distingue uma personalidade de nacionalidade portuguesa que se tenha afirmado por uma intervenção particularmente relevante e inovadora nas áreas da cultura ou da ciência”, revela a UC, adiantando o reitor que “pareceu ao júri inquestionável” atribuir a distinção a Rui Vieira Nery, que “é uma referência da musicologia portuguesa”.

O laureado tem “uma intervenção longa” na musicologia portuguesa, “associada à [Fundação Calouste] Gulbenkian, na sua actividade académica”, e “ligado à UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], recentemente ligado à candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade”, sublinhou o João Gabriel Silva.

Rui Vieira Nery também tem “trabalho em Coimbra”, no “acervo de música barroca portuguesa”, da qual a Universidade possui, “talvez, o principal” património, “vindo essencialmente do Mosteiro de Santa Cruz”, recordou.

Esse trabalho não “está em curso neste momento”, mas Rui Vieira Nery teve um importante papel na divulgação do “valor e da relevância desse acervo”, salientou o reitor, admitindo que o Prémio agora atribuído possa permitir que “essa linha de actividade seja retomada” pelo musicólogo – “quem sabe”, concluiu.

Rui Vieira Nery é “inteiramente merecedor do prémio que a UC lhe atribui”, sintetizou o João Gabriel Silva, adiantando que a escolha foi feita “por consenso”.

Ao ter conhecimento do Prémio, o galardoado disse estar “muito satisfeito” e “totalmente surpreendido”, para além de ser uma validação do seu trabalho, que o encoraja a prosseguir os 40 anos que já tem de carreira científica.

“É um reconhecimento pelo meu trabalho e pela minha área de trabalho, pela Universidade, ao mais alto nível, o que é uma coisa que é muito entusiasmante e encorajadora”, afirmou à agência Lusa, acrescentando que “significa que a Musicologia é reconhecida como uma disciplina de pleno direito no tecido universitário, e é uma componente importante no olhar da cultura para a sociedade, que é uma das funções que a Universidade tem”.

O investigador está, actualmente, a trabalhar “numa recolha muito exaustiva dos relatos dos viajantes estrangeiros em Portugal e no Brasil, entre 1750 e 1834, e sobre aquilo que deixaram escrito sobre música, dança e artes do espectáculo”, e cujo primeiro volume, que irá abarcar o período de 1750 a 1807, conta editar ainda este ano.

O galardão será entregue a 01 de Março, dia da Universidade, que este ano assinala o seu 728.º aniversário.