Coimbra  11 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Revisitação do trabalho operário sobe à cena em Coimbra

8 de Março 2018

Uma viagem pela emancipação do trabalho operário, com inspiração nos têxteis do Vale do Ave, é apresentada, hoje (08) e amanhã, em Coimbra (Teatro Académico de Gil Vicente).

Interpretada por Beatriz Wellenkamp, Celso Pedro, Hugo Inácio, Joana Pupo e Sara Jobard, a peça “Eu uso termotebe e o meu pai também”, de Ricardo Correia, foi concebida a partir de testemunhos reais.

A peça é uma co-produção do Teatro Nacional D. Maria II, com o TAGV, o Teatro Aveirense e o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães).

“Como se transmite a memória do trabalho? Em ‘Eu uso termotebe e o meu pai também’ são investigados os processos de transmissão do trabalho em Portugal, segundo a Agência Lusa.

Trata-se de um espectáculo que parte da recolha de testemunhos em comunidades de operários fabris, de várias cidades portuguesas, transfiguradas pelas ruínas dessa indústria e que aguardam ainda um novo ‘El Dorado’.

Testemunhos de perto de 20 pessoas – operários fabris, empresários, sindicalistas e sociólogos –, gravados e passados para papel, foram a base desta peça que a Casa da Esquina (Coimbra) apresenta num gesto de “desenterrar o passado e trazê-lo para a memória dos nossos dias”, explicou o autor e encenador, Ricardo Correia, por ocasião da estreia.

“Desenterrar e voltar a mostrar [aquela realidade industrial] para que continue viva” é como Ricardo Correia define o “gesto artístico” da peça, que serve também para investigar os processos de transmissão do trabalho em Portugal, em que, muitas vezes, as profissões passam de pais para filhos.

“De certa forma, essa realidade continua viva, porque as pessoas residem ao lado das fábricas que faliram, moram à volta desses monstros abandonados e quase não fazem o luto disso, porque é o quotidiano”, assinala Ricardo Correia.

Alguns móveis tapados com panos brancos, uma piscina insuflável, que servirá para simular tempos de férias de operários, e um ecrã onde, de quando em vez, são projectadas imagens de trabalhadores ou de fábricas já extintas, compõem o cenário da peça em que cinco actores vão debitando os testemunhos recolhidos junto dos inquiridos.

 

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