Coimbra  23 de Fevereiro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Região Centro regista perto de dois milhões de exames mamográficos

4 de Fevereiro 2019

Os resultados gerais de rastreio do cancro da mama na região Centro, no período entre 1990 e 2018, regista um total de 1 897 323 exames mamográficos, revelou, hoje, o Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC – LPCC).

Os números servem, ainda, para explicar que a taxa de participação global é de 63,60 por cento, 73 605 mulheres aferidas e foram encaminhadas para diagnóstico e tratamento 8 376 cidadãs. Quanto ao número de cancros, cujos dados foram apenas aferidos até 2016, verificam-se 4 954 casos.

“Em cada 1 000 mulheres rastreadas (rastreio inicial, dos 50 aos 69 anos), 78 mulheres são encaminhadas para aferição; destas, sete mulheres são encaminhadas para diagnóstico e tratamento (0,8 – cancro ‘In situ’ – fase precoce; 3,8 – cancro invasivo)”, adianta o NRC. Quanto aos resultados nos rastreios subsequentes (entre os 50 e os 69 anos), verifica-se que “em cada 1 000 mulheres rastreadas, 20 são encaminhadas para aferição; destas, quatro chegam à fase de diagnóstico e tratamento (0,3 cancro ‘In situ’; 2,3 cancro invasivo).

Estes resultados foram divulgados hoje, Dia Mundial do Cancro, em Nelas, no âmbito da apresentação da nova unidade de rastreio de cancro da mama, a quinta do NRC, num total de oito.

A nova unidade móvel e outras três que o Núcleo Regional do Centro vai adquirir, ainda este ano, representam cerca de 2,3 milhões de euros de investimento no diagnóstico precoce de cancro da mama, estando dotadas de de tecnologia mamográfica digital directa e preparadas para a tomossíntese.

Dia Mundial do Cancro motiva lançamento da campanha global “Eu Sou e Eu Vou”

A efeméride mundial proporcionou o lançamento da nova campanha de sensibilização da Liga Portuguesa Contra o Cancro, mas é um movimento mundial, que incentiva à mudança de comportamentos.

A ideia é “reforçar o papel de cada cidadão enquanto decisor”, pretendendo “consciencializar todos os sectores da sociedade a mudar comportamentos, com vista a combater as doenças oncológicas em Portugal”, revela a LPCC.

“Eu Sou e Eu Vou” quer mobilizar a população “para uma acção nacional que visa unir a população na luta contra o cancro, ao mesmo tempo que sensibiliza para a literacia em saúde e reforça a importância da equidade no acesso aos cuidados em oncologia”, reforça.

Para tal, serão dinamizadas sessões de sensibilização na comunidade, em escolas e unidades hospitalares; realizadas actividades desportivas; bem como “uma forte divulgação digital, nomeadamente nas redes sociais”.

“Eu Sou e Eu Vou” explora como, “individual e colectivamente, pode(mos) agir, de forma a que as atitudes tenham um impacto real na luta contra o cancro. Trata-se de um apelo à acção, dando o poder ao indivíduo e desafiando-o a um compromisso pessoal”, sublinha a LPCC, incentivando a pequenas acções individuais que podem ter o poder de reduzir o impacto do cancro no próprio, nos outros e no mundo.

Para Vítor Rodrigues, presidente da Direcção da Liga, “a luta contra o cancro constitui uma actividade global, de toda a sociedade, com forte aposta na literacia em saúde que facilite a alteração de hábitos de vida não saudáveis, na disponibilização de recursos de saúde adequados à população e no apoio ao doente oncológico e aos seus familiares”.

A campanha é promovida a nível mundial pela União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), decorrendo no triénio 2019-2021 e operacionalizada em Portugal pela LPCC, associada da UICC desde 1983.

Para contribuir para o aumento da notoriedade da luta contra o cancro como prioridade mundial de saúde pública, a LPCC traduziu e adaptou uma série de materiais ajustáveis às necessidades das iniciativas, nomeadamente ‘kits’ informativos para escolas e bibliotecas, poder Central e Local, bem como empresas.

A Liga estendeu, ainda, o convite para parcerias com organismos públicos, várias entidades científicas e da área da saúde, no sentido de aumentar a visibilidade do tema e multiplicar oportunidades para uma consciencialização global.

Recorde-se que em 2018, a iniciativa do Dia Mundial do Cancro chegou a 139 países e os materiais da UICC foram traduzidos em 54 línguas.

 

Sobre o cancro

(Segundo dados do Observatório Global de Cancro (Globocan, 2018), em 2018)

  • Em Portugal morrem 79 pessoas por dia, três pessoas por hora vítimas de cancro;
  • A previsão para 2040 é de um aumento de 31 por cento da mortalidade;
  • O cancro da mama, da próstata, do colón e do pulmão são os que têm maior incidência;
  • Em 2018, cinco milhões de casos no mundo poderiam ter sido detectados mais cedo e tratados eficazmente (segundo a União Internacional de Controlo do Cancro).