Coimbra  21 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Re-Food celebra dois anos em Coimbra, mas ainda sem centro de operações

11 de Dezembro 2017

O fundador da Re-Food, Hunter Halder, apresentou o projecto aos conimbricenses, em Dezembro de 2015

A “primeira semente” do núcleo da Re-Food de Coimbra foi lançada há precisamente dois anos e, apesar dos 120 beneficiários, o projecto continua a precisar de voluntários e de um espaço para o seu centro de operações.

Por ocasião do segundo aniversário, o núcleo da Re-Food de Coimbra mostra-se satisfeito com o trabalho que tem vindo a desenvolver, mas espera, ainda, por instalações.

O crescimento está nos planos dos responsáveis pelo núcleo conimbricense que, desde final de 2015 “tem combatido o desperdício alimentar, distribuindo excedentes por uma rede com cerca de 120 beneficiários”. Até ao momento, a instituição distribuiu “mais de 4 000 pães e 3 500 bolos”, uma vez que actuado essencialmente através da campanha “Pão e bolos”.

No entanto, segundo os gestores da Re-Food Coimbra, “para estender o tipo de aproveitamento de excedentes é necessário encontrar instalações para um centro de operações e alargar o corpo de voluntários”.

O projecto tem funcionado de forma regular e os seus parceiros são vários estabelecimentos da cidade relacionados com a restauração, que entregam excedentes alimentares para serem distribuídos directamente por uma rede de beneficiários constituída por instituições de solidariedade social.

“Até ao momento, este projecto tem envolvido 14 fontes de alimentos, sendo que durante 2016, resgataram-se 1 590 pães e 1 278 bolos, e em 2017 foram já distribuídos 2 673 pães e 2 391 bolos”, adiantam.

A Re-Food revela, também, que o projecto “Pão e bolos” tem sido secundado por recolhas extraordinárias de alimentos excedentes, que surgem após jantares, festas ou cerimónias pontuais.

O objectivo agora, que celebram o segundo aniversário, é poder aumentar os voluntários (que apenas despendem de duas horas semanais), bem como encontrar um local que sirva de centro de operações, de forma a “conseguir que o aproveitamento de excedentes chegue a um maior número de pessoas”. O espaço que o núcleo de Coimbra procura permitirá “a logística para tratar e manipular mais excedentes e, desta forma, uma redistribuição mais abrangente pelos beneficiários”.

O ideal seriam instalações no “coração” da cidade, com cerca de 100 metros quadrados, que seja próximo dos voluntários, dos parceiros e, sobretudo, dos beneficiários, com facilidade de acesso e que permita o funcionamento de máquinas industriais para a preparação, acondicionamento e armazenamento das refeições.

O núcleo faz, por isso, um apelo à comunidade conimbricense, não só para se juntar a esta causa como voluntários, como também para ajudar a encontrar “o tão desejado espaço”, disponibilizando-se para contactos através do endereço de e-mail coimbra.refood@gmail.com, da página do Facebook (www.facebook.com/Refood.Coimbra) ou, para recolhas de emergência, ligando para 913 384 060.

O projecto Re-Food

Este projecto de solidariedade, criado por Hunter Halder, tem como princípios básicos: “acabar com o desperdício alimentar e com a fome e, para isso, envolver todos os elementos da comunidade, porque o mais importante de tudo são as pessoas”, esclareceu o mentor, na reunião sementeira do núcleo de Coimbra, em Dezembro de 2015.

“O desafio é mudar o mundo a partir daqui, proporcionando um equilíbrio sustentável”, salientou Hunter Halder, questionando: “É possível que deitemos no lixo, diariamente, milhares de refeições em perfeitas condições, nas mesmas comunidades onde existem concidadãos que vivem em condições de insegurança e insuficiência alimentar? É possível mudar esta realidade? É possível mobilizar as pessoas para mudarem a comunidade onde vivem, mudando o mundo?”. Em resposta a estas perguntas está, precisamente, a Re-Food que “faz a ponte entre o excesso diário e a necessidade diária, através de trabalho comunitário, 100 por cento voluntário, com baixos custos e alta produtividade”, explicou.

O projecto consiste em três etapas essenciais: a recolha de comida (nos parceiros que se juntem ao movimento), o seu empacotamento (no centro de operações) e a distribuição por cidadãos e famílias carenciadas.

“Nós não pedimos dinheiro a ninguém e trabalhamos com os parceiros da forma como eles entendem ser melhor, já que toda a comida é doada livremente, as instalações, recursos materiais e custos de arranque são doados pela comunidade, pelas empresas (públicas ou privadas), pelas autarquias, Igreja, juntas de freguesia ou pelo próprio Estado, ou seja, todo este movimento é impulsionado apenas pela boa vontade de todos os envolvidos”, referiu Hunter Halder.