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PS/Coimbra: Rui Alírio “só trabalho” pode prometer

15 de Janeiro 2018

Rui Alírio, opositor do vereador Carlos Cidade no próximo duelo eleitoral pela liderança concelhia do PS/Coimbra, declarou ao “Campeão” que “só trabalho” pode prometer.
“Nada tenho para prometer, a não ser trabalho e responsabilidade”, assinala o candidato, cuja actividade profissional é a de coordenador de gestão organizacional na Associação de Informática da Região Centro (AIRC).
Vice-presidente da Câmara conimbricense, onde responde, entre outros pelouros, pelo do urbanismo (obras particulares), Ambiente e Desporto, Carlos Cidade perfila-se para terceiro mandato como timoneiro da Comissão Política Concelhia de Coimbra (CPCC) do Partido Socialista.
Manuel Machado, líder do Município de Coimbra, é o mandatário de Cidade; Luís Vilar, ex-vereador, é o mandatário de Alírio.
O gestor confessa ter sido “surpreendido pela quebra de neutralidade” do camarada presidente de Câmara.
Ao admitir que esperava equidistância por parte do líder do Município conimbricense, Rui Alírio declarou ao “Campeão” que Manuel Machado lhe prometeu ficar à margem do duelo eleitoral aprazado para 20 de Janeiro.
Defensor da implantação de um aeroporto internacional em Coimbra, o gestor divulgou, hoje, um comunicado em abono da apologia que Machado tem feito de tal infra-estrutura e a estranhar relativo silêncio de Cidade sobre o assunto.
No respectivo programa eleitoral, Carlos dedica cinco palavras ao tema – concretização do projecto do aeroporto –, no capítulo da reivindicação de “infra-estruturas essenciais”, como o Metrobus e a remodelação da Linha do Norte (caminho-de- ferro), onde inclui a “integral reformulação” da estação ferroviária de Coimbra – B.
Aspirante à recondução como líder concelhio do PS/Coimbra, Cidade prometeu “combater o centralismo serôdio”, durante a apresentação da sua (re)candidatura.
Para o vice-presidente da Câmara conimbricense, o “centralismo serôdio” é um entrave à afirmação das regiões e sub-regiões fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
O desejo de “pensar Coimbra” para o horizonte de uma década é um dos propósitos do autarca.
Enquanto Cidade acena com “empenho na valorização do trabalho” da Câmara Municipal de Coimbra, Alírio encara a aspiração do opositor à recondução como “o reconhecimento de que algo não tem corrido bem” no foro partidário.
Ao opinar que o recente desfecho eleitoral autárquico podia ter sido melhor para o PS, Alírio considera que os resultados alcançados pelo partido no concelho conimbricense ficaram “aquém do mérito inerente ao desempenho” de Manuel Machado.
O Partido Socialista conquistou, este ano, pela segunda vez consecutiva a presidência da Câmara conimbricense, desfrutando, contudo, apenas de maioria relativa no âmbito do executivo municipal, e não fez eleger os timoneiros de sete das 18 freguesias do concelho, nomeadamente o da Junta de Santo António dos Olivais e os das congéneres de Santa Clara / Castelo Viegas, de Assafarge / Antanhol e o da União de Freguesias de Coimbra.
Depois de ter cumprido dois mandatos na liderança concelhia do PS/Coimbra, Carlos Cidade, vereador, declinou recandidatar-se, em 2013, mas a passagem de testemunho a Rui Duarte deixou a desejar.
Chamado a cumprir um ano de mandato do quadriénio 2014 -17, o vereador opta, agora, por voltar a perfilar-se para a presidência da CPCC do Partido Socialista.
A formação da lista encabeçada pelo autarca tem a particularidade de, entre as primeiras 20 pessoas (em terço do elenco), haver paridade de homens e mulheres.
Ao prometer “unir e não dividir”, Rui Alírio opina ser este o “tempo oportuno para operar a renovação e o reforço do Partido Socialista em Coimbra”.
“No estrito plano politico-partidário, Carlos Cidade esgotou a sua margem de manobra”, diz o opositor do vereador.
Para Rui Alírio, “só um PS aberto, descomplexado e moderno pode aspirar a um futuro de sucesso”.