Coimbra  20 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Pré-escola: Número de inscritos baixa pela primeira vez em 20 anos

17 de Dezembro 2017

O número de crianças com cinco anos de idade inscritas no ensino pré-escolar acaba de sofrer a primeira diminuição em 20 anos.

Segundo a antiga directora-geral da Educação Básica,  Teresa Vasconcelos, trata-se de um preocupante sinal.

De acordo com um recente relatório do Conselho Nacional da Educação, a taxa de pré-escolarização das crianças com cinco anos sofreu uma retracção no último quadriénio, situando-se em 94,80 por cento em 2015 – 16, depois de ter atingido 97,90 por cento em 2010 – 11.

“Tomávamos como adquirido que o(a)s menino(a)s devem todo(a)s ir para o jardim-de-infância, ainda que não seja obrigatório; aos cinco anos de idade, pelo menos, devem estar todo(a)s lá”, disse à Agência Lusa a sobredita ex-directora-geral.

Teresa Vasconcelos foi directora-geral da Educação Básica entre 1996 e 1999, sendo responsável pelo Plano de Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-Escolar em Portugal.

“Com o primeiro Governo de António Guterres, foi dada claramente a prioridade à educação, e muito claramente à educação pré-escolar”, acentua Teresa Vasconcelos.

Uma redução da percentagem de pré-escolarização das crianças, cuja causa ainda é desconhecida, representa, na opinião de Teresa Vasconcelos, um volte-face em relação a algo assumido e adquirido.

Nos últimos dois anos, segundo Ministério da Educação, foram criadas cerca de 170 salas de ensino pré-escolar, especialmente para responder em zonas com mais pressão de procura.

Em 1997, foi publicada uma lei-quadro que, segundo Teresa Vasconcelos, afirmava a existência de uma rede nacional garantindo a universalidade da educação pré-escolar, com prioridade para as crianças com cinco anos a fim de terem uma preparação antes da entrada no primeiro ciclo do ensino básico.

“O pré-escolar prepara para o futuro; há aquisições que devem ser feitas no infantário para que as crianças possuam rendimento no primeiro ciclo, faz-se a detecção precoce de dificuldades, faz-se trabalho de socialização das crianças”, assinala a ex-directora geral.