Coimbra  21 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Polícia Judiciária do Centro desmantela rede de tráfico de pessoas

2 de Novembro 2018

No âmbito da “Operação Lusar”, a Polícia Judiciária, através da Directoria do Centro, e a Guarda Civil espanhola detiveram cinco indivíduos por tráfico de pessoas, na vertente de exploração laboral.

As detenções, que contaram com a intervenção directa do Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra (Ministério Público), levaram, assim, ao desmantelamento da suposta associação criminosa a que pertenciam e que se dedicava à prática dos crimes de tráfico de pessoas, com finalidade de exploração laboral, já há alguns anos.

A acção decorreu, conjuntamente, com a Guarda Civil espanhola, no dia 16 de Outubro, tendo sido realizadas várias buscas domiciliárias e não domiciliárias em Portugal, nas zonas de Sabugal, Belmonte, Covilhã e Santa Comba Dão, e em Espanha, na zona de Segóvia. Nessas acções, através de mandados de detenção europeus e nacionais emitidos pelo DIAP de Coimbra, foram detidos cinco indivíduos de nacionalidade portuguesa, um em Portugal e quatro em Espanha.

“A organização criminosa actuava junto das vítimas em território nacional, a maior parte na zona Centro, aliciando-as para atractivos trabalhos agrícolas em território espanhol”, explica a PJ, em comunicado, adiantando que, “sendo a maioria das vítimas consideradas pessoas ‘especialmente vulneráveis’, em razão da sua condição social e psicológica (pessoas sem referências familiares, sem trabalho e com comportamentos aditivos), eram transportadas para os locais de trabalho, em Espanha, onde não tinham descanso adequado, não recebiam qualquer remuneração, sendo ainda sujeitas a uma alimentação e condições desumanas”.

As condições de alojamento são descritas pela Guarda Civil como “totalmente insalubres e anti-higiénicas”. Segundo as vítimas, num mesmo quarto chegavam a dormir mais de 25 pessoas, às quais o “Patrono” cobrava 20 euros a cada por comida e alojamento.

As vítimas, que viviam nas localidades de Alcanadre e Bergasa, eram recrutadas essencialmente para trabalhos agrícolas como as vindimas.

Durante as diligências de recolha de prova, foram encontrados e apreendidos duas caçadeiras, munições, objectos vários e documentos correlacionados com os crimes praticados.

Em Portugal, o indivíduo foi sujeito a primeiro interrogatório judicial de arguido detido, tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção de obrigação de permanência na habitação, com vigilância electrónica.

Quanto a quatro detidos em território espanhol, depois de serem presentes em tribunal, perante o juiz espanhol, aguardam extradição para Portugal, onde serão presentes às autoridades judiciárias da comarca de Coimbra, tendo em vista a aplicação das medidas de coacção.

Segundo o comunicado da Guardia Civil espanhola, foram identificadas cerca de 30 vítimas de origem portuguesa, entre elas uma menor de 16 anos. Uma das vítimas detectadas no âmbito desta investigação era um homem português que estava em Espanha, há 10 anos, e que terá sido “vendido” a um dos detidos.

Um dos portugueses detidos, conhecido como “Patrono”, geria a verba a pagar aos trabalhadores, descontando a quantia que o próprio entendia como parte do alojamento e da alimentação.

O “Patrono” contava com a colaboração de várias pessoas, também de nacionalidade portuguesa, que controlavam as vítimas nos locais onde dormiam e estavam alojadas.

 

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