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Penela: Bienal de Humor no Espinhal atinge recorde de participações

9 de Julho 2018

Osvaldo Macedo de Sousa, Luís Dias, Luís Matias e Renato Barroso

 

Mais de um milhar de trabalhos, de 450 artistas oriundos de 78 países, concorrem à sexta edição da Bienal de Humor Luís D´ Oliveira Guimarães, organizada pela Câmara Municipal de Penela e Junta de Freguesia do Espinhal.

A temática da edição deste ano, que vai decorrer na vila do Espinhal, a 01 e 02 de Setembro, gira em torno do ciclo da vida, procurando “ao pensar um pouco na morte, repensarmos o nosso dia-a-dia como preparação para esse momento fatal”.

“É um êxito total, foram batidos todos os recordes, de trabalhos, artistas, países dos cinco continentes e participação de mulheres, o que merece destaque porque o humor está muito masculinizado”, congratula-se o director artístico da bienal, Osvaldo Macedo de Sousa, realçando que muitos dos trabalhos chegam de países onde “é preciso gritar e expressar a revolta por certas opressões”, funcionando o humor como um veículo para esse fim.

Aos visitantes da exposição, que estará patente nos primeiros dias de Setembro, Osvaldo Macedo de Sousa deixa um conselho: “Não venham à procura de anedotas que isto não são anedotas. São desenhos para nos obrigar a parar, olhar e pensar… e às vezes repensar”, afirma.

Recepcionados os 1 160 trabalhos, o júri tem agora em mãos a “tarefa difícil” de seleccionar os melhores. Desta participação, uma centena são caricaturas sobre Leonor Oliveira Guimarães, numa homenagem à nora de Luís Oliveira Guimarães, falecida em 2017 e impulsionadora da bienal dinamizada com o apoio da Fundação Oliveira Guimarães.

O vencedor do concurso arrecada um prémio de 2 000 euros, estando estipulados prémios de 1 500 e 1 000 euros, para os dois lugares seguintes, e 1 200 euros para a melhor caricatura sobre Leonor Oliveira Guimarães.

Para o presidente da Câmara de Penela, Luís Matias, a Bienal de Humor “é hoje uma referência mundial do ponto de vista do humorismo gráfico e dos concursos de caricaturas mais conhecido, basta olhar para o número de trabalhos concorrentes, para os países de origem e para a qualidade que temos conseguido”, sublinha.

“Há um indicador interessante que é a fidelização dos artistas, que esperam de dois em dois anos para poderem apresentar os seus trabalhos e a maior parte deles fá-lo sem saber sequer onde é o Espinhal”, acentua o autarca.

Na apresentação da bienal, ontem (domingo), Luís Matias anunciou um projecto em desenvolvimento que visa “afirmar Penela, e particularmente o Espinhal, como um território de criatividade e onde a arte ligada ao humorismo gráfico vai ter o seu espaço”, através da Casa-Museu Luís Oliveira Guimarães.

Segundo o presidente da Câmara, trata-se de uma iniciativa em parceria entre o Município e a família Oliveira Guimarães cujos pormenores serão revelados “a breve trecho”.

O programa da VI Bienal de Humor inclui uma tertúlia sobre “Viver e morrer a rir” (02 de Setembro), um festival de cinema (às quartas-feiras, em Setembro) com o tema do evento, uma exposição evocativa do mês do envelhecimento activo (em Outubro) e ainda uma exposição de cartoons sobre o “Dia do Armistício”, comemorando o fim da morte na I Grande Guerra (em Novembro).

A inauguração da exposição “D. Fuas e o Ciclo da Vida”, no Auditório Municipal de Penela, marcou, ontem, a apresentação da Bienal de Humor Luís D´ Oliveira Guimarães, que tem o alto patrocínio do Presidente da República.

Luís Carlos Melo (Jornal Terras de Sicó)