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Morte de cinco peregrinos: Condutor reconhece que causou “uma tragédia”

12 de Setembro 2017

Um condutor, natural da Geórgia, que matou cinco peregrinos, em Cernache (Coimbra), reconheceu, hoje, ter sido o causador de “uma tragédia”.

Embora sem ter feito uma confissão espontânea e sem reservas, na audiência de julgamento, iniciada hoje, Levan Moseshvili, 26 anos de idade, assumiu “a culpa” e classificou de “muito triste” aquilo que aconteceu.

“Não sou mais o mesmo, mas a minha desgraça é incomparável” com a das vítimas mortais e com a das respectivas famílias, declarou o arguido, acusado de homicídio por negligência e de condução perigosa.

A Levan Moseshvili foi ainda imputada, pelo Ministério Público, a autoria de ofensa à integridade física (igualmente por negligência), inerente aos ferimentos causados a quatro pessoas atropeladas, a 02 de Maio de 2015.

Autor negligente da morte de três homens e duas mulheres, o arguido, a título de medida de coacção, esteve durante oito meses proibido de conduzir.

Sujeito a teste de alcoolemia, na madrugada do primeiro sábado de Maio de 2015, Moseshvili era possuidor de uma taxa de 0,90 gramas por litro de sangue (inferior à que implica detenção, 1,20), além de ter consumido produtos estupefacientes.

Em Dezembro de 2013, o jovem havia sido interveniente noutro acidente de viação, conduzindo com uma taxa de alcoolemia de 1,14 gramas/litro.

A dedução de acusação, a cujo teor o “Campeão” teve acesso, remete para a conduta do arguido nas últimas horas do feriado do 1º. de Maio.

Levan, que residia no Rabaçal, ingeriu bebida alcoólica, ao jantar, em Penela, e prosseguiu o consumo em Coimbra, onde participou em festejos alusivos à ida de dois amigos para o Luxemburgo.

No regresso ao Rabaçal, num Audi (A4), acompanhado por outro jovem, o arguido protagonizou condução imprudente, caracterizada, segundo o MP, com base em averiguações da GNR, por acelerações e travagens buscas.

A peça acusatória refere-se, de resto, a “atitudes provocatórias” em relação aos peregrinos que, em grande número, rumavam a Fátima.

De acordo com o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra (MP), Levan Moseshvili invadiu a faixa de rodagem (sentido Sul – Norte) do Itinerário Complementar nº. 02, junto a Cernache, a ponto de atropelar nove pessoas.

Uma das duas faixas do IC2 no sentido Condeixa-a-Nova – Coimbra tinha sido reservada, pela sociedade Estradas de Portugal, para os peregrinos caminharem.

Neste contexto, o Audi (A4) seguia no mesmo sentido das vítimas (Norte – Sul).

Segundo o arguido, o carro “fugiu, de traseira, para a direita”. “Achava que nada daquilo podia acontecer”, alegou.

Moseshvili disse, ainda ter tentado estabilizar a viatura antes de ocorrer o atropelamento.

Aida Nunes, Graça Mendes, Heleno Neves e Flávio Miguel tiveram morte imediata; Diogo Ferreira faleceu no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC).

Os feridos são Lília Oliveira, José Manuel Nunes, Mário Mendes e Miguel Inácio.