Coimbra  24 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Montemor-o-Velho: Agricultores preocupados com alterações climáticas

7 de Março 2019

Fernando Martins, Armindo Valente, Emílio Torrão e António Cachulo

“As alterações climáticas estão a sentir-se e há necessidade de acautelar as reservas de água”, conforme alertou, hoje, o presidente da Direcção da Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho.

Armindo Valente, que falava na sessão de abertura do seminário anual daquela organização agrícola, alertou para a necessidade de “fazer reservas no Baixo Mondego, para que a água, que cai mais intensa em períodos curtos não vá directa para ao mar”.

Segundo Armindo Valente, em mais de metade dos 13 000 hectares faz-se sentir a falta de água nos afluentes do Mondego, como o Arunca, Pranto, Ega, Foja e ribeira de Ançã, anunciando que irá avançar o projecto de abastecimento, a partir do Mondego, à zona do Pranto, no valor de cerca de 25 000 euros.

Na abertura do seminário dedicado ao enquadramento da PAC (Política Agrícola Comum) após 2020 e à campanha de 2019, o novo director regional de Agricultura e Pescas do Centro, Fernando Martins, considerou que a “sustentabilidade ambiental da agricultura é o grande desafio que se coloca”, com a água a ser “uma questão crucial para o futuro”, devido às alterações climáticas.

Fernando Martins desafiou os agricultores a alterarem o “paradigma da produção”, quer através de “meios tecnológicos para a melhoria da produção”, quer através da utilização de “processos ecológicos”.

Outro do intervenientes, o presidente da Caixa de Crédito Agrícola do Baixo Mondego, António Cachulo, chamou a atenção dos agricultores para a necessidade de terem seguros, lembrando os prejuízos causados pela tempestade Leslie, em Outubro de 2018.

Referindo-se, igualmente, aos desafios que se colocam com as alterações climáticas, o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, considerou que a “riqueza do concelho está nos agricultores” e incentivou-os a “primar pela qualidade” e a fazerem uma “produção sustentável. Sublinhou, ainda, que o novo desafio está na “economia circular”, com o aproveitamento de todos os subprodutos, acabando com os desperdícios no campo”.

Durante o seminário foram apresentados os resultados dos ensaio de bioestimulantes e de variedades de arroz realizados no Bico da Barca, abordaram-se as novas soluções na cultura do arroz, a fisiologia do milho e a análise da cultura por satélite, a nova PAC pós 2020, os seguros de colheitas, o regime de pagamentos Base e “Greening” e as medidas agro-ambientais.