Coimbra  20 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Médicos da Bissaya Barreto revelam “incomportável escassez de meios”

12 de Março 2018

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considera que o Ministério da Saúde colocou a Maternidade de Bissaya Barreto, em Coimbra, “em colapso”, depois de receber declarações de responsabilidade dos profissionais face à “incomportável escassez de meios para o cabal desempenho da actividade assistencial”.

Segundo a Ordem dos Médicos, este é um “’protesto’ inédito, cujas declarações de responsabilidade estão também a ser enviadas para a direcção de Serviço de Neonatologia B”.

Carlos Cortes, presidente da SRCOM, afirma que esta é uma “situação alarmante e muito grave”. “Os médicos desta maternidade consideram que a realidade é, de tal modo preocupante, que, neste documento, explicitam os alertas para os graves riscos ali existentes para a saúde das mulheres e das crianças”, alerta o médico.

Em causa estão a realização de consultas e cirurgias, bem como o serviço de urgência, o apoio perinatal diferenciado, entre outros, sendo que o motivo mais evidente é a falta de “médicos pediatras, ginecologistas e obstetras, cuja escassez o Ministério da Saúde não resolve há vários anos”, sublinha Carlos Cortes.

O responsável denuncia, ainda, que “há mais de oito anos que não há contratação de pediatras. Há quase uma década que se assiste a uma tal escassez de meios que só com a dedicação dos profissionais é possível cumprir com as normas dos colégios da especialidade”.

Perante o iminente “colapso”, Carlos Cortes solicita rapidez na resolução dos problemas mais graves, dando como exemplo o facto de “desde 2012 que se aguarda pela resolução e construção da maternidade de Coimbra” e questionando se se vai “assistir ao desmoronamento de serviços de topo?”.

“O Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Administração Regional de Saúde do Centro tem de pressionar ainda mais o Ministério da Saúde perante esta incapacidade em dar resposta às necessidades das mães, das grávidas e da crianças”, considera Carlos Cortes.

A situação grave em que se encontram, levou os médicos a assinar “massivamente” a declaração de responsabilidade, que enuncia os riscos: “sem prejuízo do dever de assegurar a sua prestação clínica de forma consentânea com os seus conhecimentos e experiência profissional, a situação supra reportada é susceptível de fazer incorrer os doentes em risco e, em consequência disso, o/a signatário /a em responsabilidade médica, disciplinar e penal”.

“No actual contexto, é incompreensível que não tenha sido atribuída qualquer vaga de Pediatria para as duas maternidades e Hospital Pediátrico e apenas uma vaga de Ginecologia/Obstetrícia para as várias unidades deste centro hospitalar”, lamenta o presidente da SRCOM, acusando que “existe uma tentativa notória de asfixiar o CHUC na sua importante componente de cuidados de saúde na área materno-infantil. É notório que este centro hospitalar foi eliminado do plano de actividades do Ministério da Saúde”.

Segundo a SRCOM, nos últimos dias, chegaram à sua posse 28 declarações de responsabilidade, o que significa que a Maternidade de Bissaya Barreto poderá “ver a sua actividade comprometida e de estar impossibilitada de dar resposta nalgumas áreas sensíveis da saúde da mulher e da criança”, conclui Carlos Cortes.

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