Coimbra  20 de Junho de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Médicos culpam Ministério pelo “esvaziamento” dos serviços no Interior

7 de Março 2018

A Ordem dos Médicos do Centro acusou, hoje, o Ministério da Saúde de ser o responsável pelo “esvaziamento dos serviços do Interior e dos grandes hospitais da região Centro”.

Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), alertou também para “o perigo de esvaziamento dos serviços hospitalares da região, tendo em conta o mapa de vagas atribuídas nos concursos de colocação de médicos especialistas”.

Os médicos do Centro dizem, igualmente, que este “processo vem comprovar que o Ministério da Saúde está a desprezar os doentes da região Centro”.

“Além da discrepância nas vagas existentes para os concursos de provimento de médicos especialistas hospitalares e os jovens que concluíram a especialidade (dos 171 recém-especialistas para 123 vagas nos hospitais da região Centro), há hospitais que continuam com graves carências e outros que estão a ser asfixiados”, sublinha Carlos Cortes.

Este responsável denuncia, por isso, a “forma catastrófica” como estão a ser geridos os recursos humanos, precisamente um dos maiores problemas do Serviço Nacional de Saúde.

A Ordem dos Médicos do Centro diz que, dos 28 médicos especialistas em Medicina Interna, o Ministério da Saúde abriu concurso apenas para 17, dos 12 médicos especialistas em Pediatria Médica, será aberto concurso para seis, e dos 11 especialistas em Anestesiologia, existem sete vagas a concurso.

“Há áreas extremamente carenciadas nos serviços hospitalares e, com este concurso, o Ministério da Saúde está a prejudicar a distribuição de médicos especialistas nas zonas e unidades hospitalares mais deficitárias. Esta é a forma de decapitar toda uma região numa área tão sensível como é a Saúde” – sintetiza Carlos Cortes.

“Há por isso – defende – um total desrespeito pelos utentes”, até porque é “incompreensível” a constante demora na contratação de médicos recém-especialistas em Medicina Geral e Familiar.

“Não é por caso que continua a existir emigração médica e uma fuga crescente de médicos para os serviços privados de saúde. Este Ministério da Saúde demonstra uma profunda inabilidade” – conclui Carlos Cortes.