Coimbra  21 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Médicos alertam: Hospital Pediátrico de Coimbra sem camas para a gripe

18 de Janeiro 2018

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considerou, hoje, “uma irresponsabilidade” a inexistência de camas no Hospital Pediátrico de Coimbra para fazer face ao plano da gripe, devido à falta de recursos humanos e de material.

“Para que servem os planos de contingência se não são criadas as condições para serem aplicadas? A transparência resulta não só pela publicação dos planos de contingência, mas, também, pela divulgação da sua verdadeira implementação, que deveria ser obrigatória. Neste caso, é mentir à população dando a noção de falsa segurança” – entende o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, que alerta para o facto de as crianças e os jovens “pertencerem a um dos grupos mais vulneráveis”.

“De acordo com o Despacho n.º 2483/2017, de 23 de Março, os planos de contingência têm de estar prontos até Setembro e, no caso do Pediátrico, foram solicitadas, em Outubro, pelo menos quatro camas para o plano de contingência”, refere a SRCOM, adiantando que “face à falta de profissionais, falta equipamento adicional de monitorização cardiorrespiratória, falta de material para oxigenoterapia, o Serviço não teve condições para aplicar o plano de contingência”.

Carlos Cortes alerta para as consequências de “crianças e adolescentes não ficarem internadas no Serviço de Pediatria Médica, apesar de ter indicação para tal”, considerando que “é urgente alocar recursos humanos médicos e de enfermagem no Hospital Pediátrico de Coimbra para a gripe sazonal”.

Sem planeamento, sem alternativas de reforço de internamento por falta de recursos humanos, o Hospital Pediátrico de Coimbra está – apenas – à mercê da enorme dedicação dos seus profissionais”, conclui o presidente da SRCOM.

CHUC nega falta de camas

Entretanto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) negou a insuficiência de camas no Hospital Pediátrico para fazer face à gripe sazonal, apesar do acréscimo de 50 por cento dos episódios de urgência relativamente à média anual.

“Apesar da grande pressão no internamento, foi sempre possível internar todos os doentes em condições adequadas sem compromisso de toda a actividade programada”, refere o CHUC, num comunicado.

De acordo com a nota, o Serviço de Urgência do Hospital Pediátrico “tem dado resposta eficaz, mesmo tendo em conta uma procura mais elevada nos últimos dias, tendo sido tomadas de imediato as medidas adequadas”.

O CHUC adiantou, ainda, que “não há doentes em macas nos corredores a aguardar internamento, não há doentes em macas nas enfermarias, nem há cancelamento de cirurgias ou outros procedimentos programados” no Hospital Pediátrico.