Coimbra  20 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Mealhada: Crianças constroem armadilhas para a vespa asiática

12 de Março 2018

As crianças do Agrupamento de Escolas da Mealhada estão a construir armadilhas para as vespas asiáticas, que estão prestes a sair do período de hibernação, numa iniciativa apadrinhada pela Associação de Apicultores do Litoral Centro (AALC).

A armadilha foi criada por um membro da AALC, que, após dezenas de tentativas, conseguiu produzir “um embuste caseiro” extremamente eficaz, que está a ser produzido no Centro de Interpretação Ambiental da Mealhada.

A armadilha consiste numa garrafa de água de litro e meio com duas entradas desencontradas, feitas a partir de outras duas garrafas mais pequenas. Lá dentro é colocado o doce que atrai as vespas asiáticas, por exemplo néctar de pêra, e umas gotas de vinagre, que afastam as abelhas e evitam que estas caiam na armadilha. “É urgente capturar as fundadoras que vão formar os ninhos”, explicam os técnicos.

A proposta de colocar as mais de 850 crianças do Agrupamento de Escolas da Mealhada a produzir estas armadilhas partiu dos apicultores, tendo sido acolhida pela câmara local, presidida por Rui Marqueiro.

“Foi deitar mãos à obra e numa parceria com AALC e com os sectores de educação e ambiente da autarquia, os alunos do primeiro ciclo e pré-escolar passaram a conhecer melhor a importância das abelhas, a distingui-las das vespas e a fazerem com agrado as armadilhas”, refere o Município da Mealhada.

O Centro de Interpretação já distribuiu centenas de armadilhas feitas pelos alunos e tem outras tantas disponíveis para quem as queira pendurar nas suas árvores. “São já muitos os quintais onde se vêem penduradas, mas quantas mais se espalharem melhor, uma vez que se aproxima a Primavera e termina o período de hibernação da temível vespa asiática”, explica a autarquia.

A vespa velutina é uma espécie asiática característica de regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia ao leste da China, Indochina e ao arquipélago da Indonésia, sendo a sua existência reportada desde 2011 na região norte de Portugal.

Apesar das tentativas de controlo dos últimos dois anos, a vespa asiática tinha sido avistada em 12 distritos do país até ao final de 2017.

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas tem alertado para os efeitos da presença desta espécie não indígena, sobretudo na apicultura, por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas.

A vespa asiática constitui também uma ameaça para a saúde pública, reagindo de modo bastante agressivo quando tem os ninhos ameaçados, “incluindo perseguições até algumas centenas de metros”.

 

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