Coimbra  17 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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IPO de Coimbra: Médicos insurgem-se contra eventual saída de gestor

8 de Junho 2018

Além de inoportuna, a eventual transferência do presidente do IPO de Coimbra para outro hospital “expõe doentes e a instituição a uma grande fragilidade”, advertem os directores dos serviços clínicos.

Em carta enviada ao ministro da Saúde, a cujo teor o “Campeão” teve acesso, os referidos médicos dizem que a hipotética medida “frustra as legítimas expectativas dos doentes” que padecem de cancro.

Os directores dos serviços não clínicos e as chefias de enfermagem enviaram ao ministro Adalberto Campos Fernandes um documento com idêntico teor.

O cenário de transferência de Carlos Santos para preencher uma vaga na Administração do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra foi encarado pelo Ministério da Saúde. O Conselho de Administração do CHUC está com menos um membro devido à ida de Pedro Beja Afonso para a Unidade Hospitalar de Coimbra (estabelecimento da IdealMed, recentemente comprado pelo Grupo Luz Saúde).

Os directores dos serviços clínicos do Centro Regional de Oncologia do Centro transmitiram à tutela a sua perplexidade por terem sido postos perante aquela hipótese de forma abrupta e também deram conta da respectiva apreensão na medida em que o IPO de Coimbra está prestes a realizar um investimento de 37,60 milhões de euros em ampliação e renovação de equipamentos.

“Perspectiva-se, a curto prazo, uma transformação estrutural, relacionada com o plano de investimentos aprovado e que implica ajustamentos organizacionais inpactantes na actividade clínica”, previne o documento a que o nosso Jornal teve acesso.

Segundo os sobreditos médicos, é “crucial para o êxito deste processo o conhecimento profundo” do IPO de Coimbra e dos seus profissionais, “para o qual é fundamental um gestor com o perfil que mais se adequa à realidade institucional”, correspondente ao de Carlos Santos.

“A nomeação de outro presidente, independentemente das suas características, implica uma ruptura e um recomeço indesejáveis, medida que pode comprometer todas as expectativas acalentadas pelos profissionais durante anos”, prossegue o documento.

Para os referidos médicos, trata-se de expectativas que eles crêem “merecer pelos resultados obtidos” e que querem ver cumpridas.

“O reconhecimento da liderança pelos profissionais é fundamental para o sucesso das instituições”, por maioria de razão quando se trata de estabelecimentos hospitalares, sendo “fulcral associar boa gestão ao humanismo”, acentua a carta enviada ao governante, podendo ler-se ainda: “só com profissionais motivados pode o Serviço Nacional de Saúde cumprir a sua nobre função”, tida pelos subscritores do documento como “diariamente ameaçada”.

Carlos Gregório dos Santos coadjuvou, até meados de Maio de 2017, o histórico timoneiro do IPO de Coimbra, Manuel António Leitão da Silva.

Para o lugar de gestor aberto pela ascensão de Carlos Santos entrou Maria do Rosário Velez Reis.

A directora clínica do IPO de Coimbra, Paula Alves, a desempenhar a função há seis anos, está em final de mandato.

O nosso Jornal aguarda, desde 01 de Junho [de 2018], a prestação de um esclarecimento por parte da Administração Regional de Saúde do Centro, para ela tendo sido remetido pelo Ministério da tutela.

Esclarecer o “Campeão” se o gestor Carlos Santos vai permanecer na presidência do IPO de Coimbra “não é assunto relevante” para a ARS/Centro, disse, entretanto, à Redacção do Jornal, a porta-voz do organismo desconcentrado do Ministério da Saúde.

 

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