Coimbra  17 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Incêndios: Xavier Viegas insiste com a EDP

10 de Novembro 2017

O director do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra voltou, anteontem, a apontar responsabilidades à EDP em matéria de eclosão de fogos, tendo-lhe imputado “más práticas”.
“Pelo que temos visto nos indícios recolhidos, dá ideia de algum desleixo por parte desta instituição relativamente à manutenção das linhas eléctricas na distância entre a folhagem das árvores e os fios”, disse Xavier Viegas, citado pela Agência Lusa.
O investigador, que falava no final da palestra “Uma abordagem da ciência aos incêndios florestais”, aludiu a casos em que aquilo está “plenamente reportado”.
Ao remeter para um sinistro ocorrido, há 12 anos, em Mortágua, onde morreram quatro sapadores de Coimbra, Xavier Viegas indicou que ele foi causado por uma linha eléctrica de 15 quilovolts.
Na palestra, o director do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da UC disse que, se não for parada, a EDP vai continuar com más práticas, opinando que vai ser “uma luta difícil”.
Ao referir-se ao fogo de Pedrógão Grande, Xavier Viegas vincou que, apesar de ter sido solicitado ao Ministério Público o embargo da zona onde supostamente começou o incêndio para realização de mais peritagens, “a EDP chegou lá e cortou toda a vegetação”.
Para o investigador, falta integrar um quarto pilar na estrutura de combate aos incêndios florestais, o qual consiste nas pessoas.
“O Estado pensa que [isto] se resolve com três entidades (Protecção Civil, GNR e Instituto da Conservação da Natureza), mas falta um pilar, assente na população, na comunidade científica e nas empresas”, opinou o director do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da UC.
O investigador lamentou que tais entidades quando chegam ao terreno comecem por “afastar as pessoas, mesmo as válidas, que conhecem os locais, sabem o que fazer e defender-se”, alegando que elas podem ser “um auxiliar muito importante para os bombeiros”.
Segundo Xavier Viegas, as pessoas têm de ser ensinadas a autoproteger-se , pois há muitas situações em que os bombeiros não conseguem acudir a potenciais vítimas.