Coimbra  29 de Junho de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Incêndio em Pedrógão Grande está a “a evoluir de forma favorável”

19 de Junho 2017

Os incêndios florestais que, hoje, lavram nos distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra, sendo o de Pedrógão Grande o mais preocupante, estão a “decorrer de forma favorável”, segundo o balanço da Protecção Civil.

Elísio Oliveira admitiu, contudo, a possibilidade de novas complicações no combate às chamas, uma vez que os meios aéreos não estão de momento a operar, devido às condições atmosféricas.

O incêndio que teve início, sábado (17), em Pedrogão Grande (Leiria) e que entretanto alastrou aos concelhos vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, matou 62 pessoas e feriu outras 62. Cerca de metade morreram quando viajavam, de automóvel, e 11 em meios rurais, tendo sido encontrados 17 cadáveres junto a viaturas.

“É uma situação que se mantém difícil, mas começamos por valorizar o empenho de todos os combatentes. O combate evolui favoravelmente nos três distritos afetados, Coimbra, Leiria e Castelo Branco. Muitos dos sectores deste teatro de operações já estão dominados, muitos deles em fase de rescaldo […]”, afirmou Elísio Oliveira.

O comandante operacional da Proteção Civil explicou ainda que, neste momento, as condições meteorológicas adversas não permitem que os meios aéreos disponíveis, alguns de ajuda internacional, possam operar no teatro de operações.

“O esforço que tem vindo a ser feito é no sentido de o mais rapidamente possível dominar este incêndio”, concluiu.

Neste momento, estão no terreno mais de 2 150 operacionais, apoiados por 662 veículos e 10 meios aéreos, que combatiam os seis incêndios activos em Leiria, Coimbra, Castelo Branco e Bragança.

O incêndio de Pedrogão Grande é já um dos mais trágicos em Portugal. Há 31 anos (a 14 de Junho de 1986), morreram, em Águeda, 16 pessoas (13 delas bombeiros).

O director nacional da Polícia Judiciária, José Almeida Rodrigues, atribuiu a uma “trovoada seca” a origem do fogo mortífero.

Góis continua a arder 

O incêndio que lavra, desde sábado, no concelho de Góis continua “com duas frentes” activas, mas os meios mobilizados estão a controlar o risco para habitações, disse à agência Lusa, a presidente da autarquia, Lurdes Castanheira.

“Continuamos com duas frentes, que nos preocupam bastante”, admitiu a autarca, acrescentando que “não se pode considerar o fogo dominado, mas do centro de comando dizem que estão a assegurar o controlo”.

Lurdes Castanheira adiantou que durante a noite estiveram cerca de 350 operacionais no terreno, “entre bombeiros, militares e muitas pessoas a ajudar” e que, no lugar de Cortes, freguesia de Alvares, “as pessoas entraram em pânico porque o fogo aproximou-se muito das habitações”.

O município faz fronteira com Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e com o concelho da Pampilhosa da Serra, para onde as chamas progrediram, após deflagrarem no sábado, em Fonte Limpa.

“O fogo iniciou-se numa área de eucaliptal muito densa e propagou-se por aldeias dispersas, com muitos idosos. Alguns tivemos que os tirar das suas casas e acolhê-los no quartel dos bombeiros de Alvares e em Góis, na residência de estudantes”, explicou Lurdes Castanheira.

A autarca revelou que, entretanto, as pessoas “já foram para as suas habitações”, porque apenas arderam algumas casas devolutas e duas residências de segunda habitação.

“Temos muitos prejuízos, mas felizmente não temos desalojados”, salientou a presidente da autarquia, notando que os meios de combate às chamas têm como prioridade “a protecção total às pessoas e às habitações”, embora ainda exista “um clima de insegurança e de pânico com a possibilidade de um reacendimento”.

As duas frentes de fogo activas situam-se em Cortes de Alvares e nos lugares de Amioso de Cima e Amioso do Senhor.

Segundo a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o fogo que lavra num povoamento florestal em Góis está a ser combatido por 603 operacionais, apoiados por 173 veículos.