Coimbra  23 de Setembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Fogos: Associação Acréscimo defende investimento agroflorestal

7 de Agosto 2018

O presidente da associação Acréscimo considerou, hoje, que Portugal não vai conseguir atenuar o problema dos incêndios florestais enquanto não houver investimento em agrofloresta.
Em declarações à Agência Lusa, Paulo Pimenta de Castro fez reparos à “epidemia de eucaliptos” existente no país e recomendou incentivos às actividades turística e agrícola.
Também a associação ambientalista Quercus adverte, em comunicado, que o elevado grau de perigosidade do incêndio na serra de Monchique (Algarve) fica a dever-se, sobretudo, ao comportamento do fogo ditado pelos eucaliptais.
Entidade vocacionada para fomento do investimento agroflorestal, a Acréscimo assinala que, cada vez mais, “o território vai empobrecendo”, quando poderia ser recuperado “graças a outro tipo de opções”, assentes em maior aposta na agricultura e no turismo.
“As pessoas mais ligadas à área do eucalipto vêm sistematicamente dizer que o sobreiro também arde (…); a questão consiste em saber se isso justifica a opção por outras espécies mais combustíveis”, acentua Pimenta de Castro.
Neste sentido, o timoneiro da Acréscimo defende que Portugal deve “deixar, de uma vez por todas, de apostar em monoculturas extensíveis ao longo do país”, quando o território “oferece uma grande possibilidade de diversificar culturas e actividades”.
“Enquanto promovermos este tipo de dispersão de determinado arvoredo, sem qualquer tipo de gestão ao longo do território, vamos ter garantidos riscos de sinistros”, sublinha.
Pimenta de Castro dá conta de que “o território nacional é vítima de uma epidemia de eucaliptos, áreas com forte densidade arbórea e com uma gestão de abandono”.
“Nós não percebemos como é que se faz política para agentes económicos, neste caso produtores florestais, sem que os conheçamos; é impossível fazer política florestal nestes moldes”, adverte.
O dirigente associativo referiu ainda, segundo a Lusa, que “o turismo vale 10 vezes mais do que todo o sector florestal todo em termos do Produto Interno Bruto”.
Neste contexto, Pimenta de Castro alerta para o risco de os fluxos turísticos virem a sofrer devido à calamidade dos fogos florestais. “Quem é que visita um país a arder como nós estamos”?, questiona o presidente da Acréscimo.