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Fogo controlado: Programa prevê limpeza de 10 000 hectares

29 de Dezembro 2017

Comunidades intermunicipais, autarquias e produtores podem, até 23 de Janeiro, candidatar-se ao Programa Nacional de Fogo Controlado, que disponibiliza 120 euros por hectare para limpeza da floresta.

Segundo o secretário de Estado Miguel Freitas, citado pela Agência Lusa, trata-se da primeira fase de candidaturas a um programa nacional concebido para contemplar a limpeza de 10 000 hectares de floresta com técnicos credenciados para fazer fogo controlado.

“Do ponto de vista simbólico, é muito importante, porque esta é uma daquelas medidas absolutamente inovadoras, é a primeira vez que o país tem um Programa Nacional de Fogo Controlado” (PNFC), assinalou o secretário de Estado das Florestas.

O PNFC tem “como objetivo directo o desenvolvimento de acções de prevenção estrutural duráveis e sustentáveis, promovendo a compartimentação dos espaços e, como objetivo indirecto, o reforço do quadro de técnicos credenciados, contribuindo para o uso da técnica de fogo controlado na gestão silvícola e da paisagem”, segundo um diploma publicado em Diário da República.

O programa tem definida uma área prioritária de cerca de 50 000 hectares para que se faça fogo controlado, nos próximos dois anos e meio.

Segundo Miguel Freitas, os cerca de 100 técnicos credenciados existentes para fazer fogo controlado correspondem a um “número insuficiente para as necessidades”, pelo que o Governo tem “a intenção de qualificar mais técnicos no futuro”.

“Neste momento, fazíamos uma média de 1 500 hectares por ano de fogo controlado”, indicou o governante, pelo que o PNFC vai reforçar o uso desta técnica de limpeza das florestas nacionais para a prevenção de incêndios.

A primeira fase de candidaturas ao PNFC destina-se às zonas não ardidas, já que o objectivo consiste, essencialmente, em abrir ou manter a rede primária de defesa da floresta contra fogos.

“Em 2018, haverá outro anúncio para ser executado até ao final do ano; portanto, a nossa ideia é, acima de tudo, consolidar uma prática em Portugal, a do fogo controlado, que é um instrumento muito económico de gestão de combustíveis”, indicou o governante.

Miguel Freitas adverte que a prática de fogo controlado só pode ser realizada por técnicos credenciados, que usam as chamas para limpeza em zonas devidamente preparadas para o efeito.