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FCTUC: Nova ferramenta coloca realidade virtual na programação de robôs

25 de Fevereiro 2019

Uma equipa de investigadores de Coimbra desenvolveu uma ferramenta para integrar a realidade virtual na programação de robôs industriais, que pode “revolucionar a robótica industrial” e que representa um novo conceito de interacção homem-máquina.

A inclusão da realidade virtual na robótica, especialmente na robótica industrial, pode ser muito vantajosa, de acordo com um estudo inédito realizado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), anunciou, hoje, este estabelecimento.

O estudo, coordenado por Norberto Pires, foi feito na sequência de um desafio lançado pela DOLL Engineering, empresa alemã que desenvolve sistemas robóticos para a indústria, adianta a faculdade.

Com recurso a dispositivos de realidade mista – como a usada no Microsoft HoloLens – óculos que juntam objectos de realidade virtual (hologramas) e de realidade aumentada – um grupo de investigadores do Laboratório de Robótica Industrial da FCTUC desenvolveu uma ferramenta robótica que tem tudo para “revolucionar a robótica industrial, designadamente a programação de robôs, porque estamos perante um novo conceito de interacção Homem-máquina”, sustenta Norberto Pires.

“Qualquer técnico vai poder programar um robô sem saber nada sobre ele”, acrescenta o investigador da FCTUC e coordenador do projecto.

Basicamente, partindo do potencial do equipamento HoloLens da Microsoft, que projecta hologramas – imagens tridimensionais [3D] – no ambiente real onde é utilizado, “o sistema desenvolvido permite que o utilizador extraia informação visual da peça real, por exemplo, do projecto em 3D dessa peça realizado numa ferramenta CAD [desenho assistido por computador], e a explore e manipule (visualmente em ambiente real) de acordo com a aplicação pretendida, através de simples gestos com as mãos”, explicita Norberto Pires.

“De seguida, transmite essa informação ao robô, que por sua vez a assimila e gera o código necessário para a realização das operações definidas, as quais podem incluir a produção da própria peça (por impressão 3D, por exemplo)”, adianta o cientista da FCTUC.

Assim, a nova ferramenta torna a programação de um robô “acessível a qualquer pessoa, uma vez que o programador deixa de ter de saber o código específico de cada máquina, como é que se programa um determinado robô, isto é, os seus detalhes, a linguagem específica usada, as características do robô, etc., ou seja, tudo isso pode ser escondido do programador, o qual se concentra somente nos aspectos operacionais”, sublinha, citado pela FCTUC, Norberto Pires.

A equipa acredita que o sistema desenvolvido, em colaboração com a DOLL Engineering, terá “um vasto campo de aplicação num futuro próximo, mudando radicalmente a forma de programar robôs industriais”.

Em consequência, “irá reduzir significativamente o tempo de projecção e de fabrico dos produtos, diminuindo os custos associados”, acentua o investigador.

A “integração da tecnologia de realidade virtual nos sistemas robóticos industriais actuais é, sem dúvida, um ponto de viragem na redução da complexidade para os utilizadores finais”, conclui Norberto Pires, salientando que “a actual tecnologia de robôs ainda requer especialização avançada na programação”.

O estudo foi publicado recentemente na revista internacional Industrial Robot, da editora Emerald.