Coimbra  20 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Fadiga dos médicos das urgências é tema de debate em Coimbra

12 de Outubro 2017

O III Congresso Nacional da Urgência reúne-se, este fim-de-semana (14 e 15), em Coimbra, para debater a fadiga dos médicos que trabalham na urgência e a elevada pressão que sofrem pelo excessivo número de doentes nestes serviços.

O problema não é novo e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) tem vindo a alertar para a sua gravidade. Segundo a SPMI, “há um excesso de recurso dos portugueses aos serviços de urgência”, adiantando que Portugal é o país “em que os cidadãos mais recorrem às urgências hospitalares,com cerca de sete em cada dez portugueses a recorrer a estes serviços, enquanto a média europeia é menos de metade deste valor”. Cerca de metade destes “poderia ter resposta fora das urgências”, revela Luís Campos, presidente da Sociedade.

O III Congresso vai ter lugar sábado (14) e domingo (15), no Centro de Congressos de Bissaya Barreto, em Coimbra, focando-se nesse problema e nos que daí advêm, como as consequências para os profissionais que trabalham num ambiente onde se a pressão já é grande, agrava-se ainda mais pelo excesso de doentes.

“É óbvio que a pressão para quem trabalha no serviço de urgência é muito maior do que noutros serviços”, confirma João Porto, internista e presidente do congresso. “E a pressão é de tal forma forte que temos muitos colegas que, assim que conseguem, deixar de trabalhar naquele serviço”, realça.

Segundo um estudo nacional da Ordem dos Médicos, “Burnout na Classe Médica”, 66 por cento dos profissionais inquiridos encontravam-se num nível elevado de exaustão emocional. O problema será debatido entre os participantes na mesa redonda “O Burnout associado à Urgência” e que, segundo a SPMI, “dará também enfoque sobre as melhores formas de evitar esta situação”.

“O ritmo na urgência é muito difícil de controlar, já que o número de urgências é muito superior ao que deveria ser”, explica João Porto, dando como exemplo o serviço de Urgência do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no qual trabalha, onde em média “existem 450 urgências por dia, chegando às 600 no Inverno, um valor muito acima do que deveria ser”.

“E isso determina um acréscimo de trabalho, que também atrasa tudo: situações que poderiam ser resolvidas em duas horas demoram quatro ou mais”, refere João Porto.

Luís Campos reforça a mensagem da necessidade de reduzir o recurso às urgências, através de um aumento da capacidade dos cuidados primários e da informação à população: “é preciso consciencializar os cidadãos para a necessidade de uma melhor utilização dos recursos e criar respostas para os doentes crónicos, que são complexos, descompensam facilmente, e têm sido tratados de uma forma fragmentada, reactiva, episódica e através das urgências”.

Para estes, segundo o presidente da SPMI, “são necessárias novas formas de organização, programas integrados de cuidados com equipas multidisciplinares lideradas por médicos de família e internistas, que façam a ponte entre o hospital e os cuidados primários”.

A conferência de encerramento do Congresso debruçar-se-á, precisamente, sobre o tema “Uma visão sobre os serviços de urgência em Portugal”, que pretende chamar a atenção para “uma “abordagem sistémica do problema das urgências”.

O encontro é destinado aos internistas, internos de Medicina Interna, mas também de outras especialidades, esperando a organização ter mais de 300 participantes.