Coimbra  17 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Estudo da ESTeSC estabelece valores para exames com radiação ionizante

6 de Dezembro 2018

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) liderou um estudo pioneiro que “permitiu caracterizar os valores dose de radiação ionizante utilizada nos exames de imagem médica mais frequentes em Portugal”.

A investigação, que conta com o apoio científico da Direcção Geral de Saúde, será apresentado amanhã (07), pelas 15h45, na ESTeSC, e é destinada, sobretudo a radiografias e tomografias computorizada (TAC), definindo “Níveis de Referência de Diagnóstico (NRD) que deverão passar a ser considerados por todos os centros portugueses que realizam este tipo de procedimentos”.

“Pela primeira vez, existem valores de referência em Portugal que vão permitir melhorar práticas e diminuir os riscos de exposição à radiação ionizante”, explica Joana Santos, docente do departamento de Imagem Médica e Radioterapia da ESTeSC e coordenadora do estudo NRD Portugal.

Segundo a instituição de ensino, “o desafio passa agora por sensibilizar os profissionais de imagem médica e radioterapia que estão no terreno, no sentido de diminuir os valores apresentados”.

O estudo foi realizado entre Março e Junho de 2018 e contou com a colaboração de mais de 75 por cento dos centros nacionais, que responderam a um inquérito sobre a exposição dos doentes à radiação. No total, foram registados os valores de radiação ionizante utilizados em 1 563 exames realizados em Portugal Continental neste período, para um perfil de doente com 60 a 80 quilogramas e 160 e 180 centímetros de altura.

“Além de indicar os valores de radiação utilizados em diferentes radiografias e TAC’s, consoante a região anatómica em análise, o estudo NRD Portugal apurou ainda o nível de exposição à radiação mediante a indicação clínica do procedimento”, apresentando valores “para exames de doentes com quadros de Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismo, metástases hepáticas, estudos de patologias pulmonares e doentes oncológicos, entre outros”.

A investigadora Joana Santos explica que “os níveis de exposição à radiação devem sempre ser adequados a cada doente e à sua informação clínica”, lembrando que só desta forma podem ser diminuídos os riscos de exposição à radiação X.

Os resultados revelam que alguns dos Níveis de Referência de Diagnóstico portugueses estão tendencialmente acima da média europeia.

“Considerando que outros países europeus já realizaram este estudo diversas vezes, já terão tido oportunidade de optimizar as suas práticas”, justifica Joana Santos, acrescentando que é esse o passo a seguir agora em Portugal.

Além de obterem os valores de referência nacionais, todos os centros que colaboraram com o estudo vão receber os seus indicadores de desempenho locais, podendo, desta forma “dar resposta ao recém-publicado Decreto-Lei n.º 108/2018 (3/12/2018), que estabelece que todos os centros devem definir níveis de referência de diagnóstico”.

O estudo NRD Portugal foi realizado por uma equipa da ESTeSC (composta pelos docentes Joana Santos e Graciano Paulo) enquanto Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde para a Protecção Contra as Radiações e Saúde, em parceria com o Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico, a Divisão de Física Médica da Sociedade Portuguesa de Física e a Sociedade Portuguesa Radiologia e Medicina Nuclear e com o apoio científico da Direcção-Geral da Saúde.

A investigação teve por base as recomendações internacionais da área, tendo ainda a validação externa de um elemento da Agência Internacional de Energia Atómica e Comissão Internacional de Protecção Radiológica.

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