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Equipa da UC desenvolve método inovador para regenerar dentes

12 de Setembro 2017

Nove investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) desenvolveram células tipo estaminais para aplicação na medicina dentária regenerativa.

O estudo permitiu desenvolver “células semelhantes às células estaminais a partir de fibroblastos

gengivais para serem utilizadas na medicina dentária regenerativa”, tendo recorrido “a uma técnica de desdiferenciação celular – que consiste em utilizar células adultas e especializadas de um tecido e revertê-las a um estado próximo do estaminal em que as células têm a capacidade de se diferenciar em praticamente todos os tecidos do organismo”, revela a Universidade.

“A perda total ou parcial de dentes por doenças da cavidade oral, como cáries, traumatismos ou doenças gengivais, representa um problema de saúde a nível mundial. Embora a medicina dentária

disponha de materiais sintéticos, estes ainda não conseguem substituir todas as funções de um dente natural, pelo que se acredita que o futuro passa por conseguirmos regenerar o dente e os seus tecidos em vez de os substituir por materiais sintéticos”, explica Miguel Marto, investigador do projecto.

O assistente convidado da FMUC afirma que “a medicina dentária regenerativa procura, através da selecção e recolha de células estaminais, regenerar os tecidos perdidos, mas obter estas células apresenta várias dificuldades”. Assim, este trabalho científico vem, precisamente, responder “ao desafio de obter células semelhantes às células estaminais para serem utilizadas na medicina dentária regenerativa”.

No estudo foram utilizados fibroblastos gengivais, fáceis de colher numa consulta médico-dentária, sendo, depois, utilizadas para dar origem a células próprias do dente, como os odontoblastos, que formam a dentina, o principal tecido duro dentário, possibilitando assim a sua utilização em

procedimentos regenerativos.

Apesar de, neste projecto, “se procurar a formação de estruturas dentárias, o método de obtenção de células tipo estaminal por desdiferenciação de fibroblastos gengivais abre portas à utilização em muitas outras doenças”, conclui o investigador Miguel Marto.

O estudo, liderado pela professora catedrática Eunice Carrilho, foi recentemente distinguido pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) com uma bolsa de apoio à

divulgação científica.