Coimbra  17 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Enfermeiros/greve: Quase 1 000 cirurgias adiadas no CHUC

7 de Dezembro 2018

Perto de 1 000 cirurgias adiadas no CHUC devido à greve dos enfermeiros dos blocos operatórios é a estimativa, feita ontem (06), pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM).

Em declarações à Agência Lusa, o presidente daquela estrutura, Carlos Cortes, disse que, no mesmo período, em 2017, foram operados 1 200 doentes, sendo de apenas 376 a cifra correspondente a 2018.

O médico contabilizou uma produção “de menos 823 cirurgias programadas, sendo 250 convencionais e 573 de ambulatório”.

“Nunca vi, nestes últimos anos, uma irresponsabilidade, uma apatia e passividade tão grande do Ministério da Saúde perante este problema”, adverte.

Segundo Carlos Cortes, há pacientes com problemas oncológicos e que necessitam de cirurgias urgentes. Deu também como exemplo o Serviço de Ortopedia, em que os doentes “correm risco de sofrer fracturas se não forem rapidamente submetidos a intervenção cirúrgica”.

O presidente da SRCOM chama a atenção para o facto de o número de cirurgias urgentes estar a “aumentar cada vez mais, porque uma situação num dia pode ser considerada não urgente, mas se não é imediatamente sujeita a intervenção começa a ficar pior”.

Ao alertar para consequências que “podem ser marcantes para os doentes durante o resto da vida”, Carlos Cortes considera incompreensível a actuação da tutela perante uma greve que tem cerca de duas semanas e meia.

“Estamos a falar de cirurgias que não se marcam de uma semana para a outra e a capacidade de o Serviço Nacional de Saúde absorver estas operações vai marcar a sua actuação para a próxima década”, acentua o médico.

O presidente da SRCOM considera ainda inaceitável que, nesta altura, os hospitais e o Ministério da Saúde não tenham revelado os dados das cirurgias em atraso.

“A Ordem dos Médicos não percebe, por exemplo, por que é que o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra não diz publicamente quais estão a ser as consequências desta inanição do Ministério da Saúde, que é importante para a transparência deste processo”, assinala Carlos Cortes.

Os enfermeiros de blocos operatórios de hospitais públicos iniciaram a 22 de Novembro uma paralisação de mais de um mês às cirurgias programadas.

 

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