Coimbra  16 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Efeméride quer cuidados de saúde visual para todos e em todo o mundo

11 de Outubro 2018

O Dia Mundial da Visão, como noutras efemérides, pretende chamar a atenção sobre o tema que lhe dá o nome. Neste caso, consciencializar sobre a saúde de um dos cinco sentidos mais importantes no ser humano.

Este dia internacional celebra-se hoje e, em 2018, o foco da celebração da visão está nos cuidados a ter na saúde ocular e as doenças sistémicas associadas, colocando nas mãos do cidadão a pergunta “Há quanto tempo não vai a uma consulta de oftalmologia?”. Além disso, pretende-se estender estes cuidados a todo o mundo, uma vez que 1,2 biliões de pessoas não têm acesso a óculos e cerca de 80 por cento das deficiências visuais são evitáveis, segundo a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira.

Estar atento aos problemas oculares e consultar um especialista sempre que se verifiquem dificuldades visuais são duas medidas a tomar pelos cidadãos no que à sua saúde visual diz respeito. Atitudes simples e que podem evitar problemas mais sérios no futuro.

Por definição, existem quatro categorias relativamente à visão: normal; deficiência visual moderada; deficiência visual severa ou cegueira (segundo a classificação internacional). Quanto às causas destes problemas, e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as estatísticas mais recentes, podem apontar-se os erros de refracção não corrigidos; cataratas não tratadas cirurgicamente; degenerescência macular relacionada com a idade; glaucoma e a retinopatia diabética, entre outros.

Os grupos mais vulneráveis ao aparecimento de problemas relacionados com a visão são os cidadãos acima dos 50 anos – 81 por cento dos cegos e com deficiências visuais moderadas a severas têm mais de meio século; números que poderão crescer cada vez mais, já que a população sénior está a aumentar, logo, mais pessoas estarão em risco de sofrer destes problemas devido à prevalência de doenças crónicas.

Também as crianças com menos de 15 anos são outro dos grupos em risco, com estimativas de cerca de 19 milhões a sofrerem de deficiências visuais, actualmente, em todo o mundo. Destes, 12 milhões têm problemas devido a erros refractivos e perto de 1,4 milhões têm cegueira irreversível.

A saúde ocular é, por isso, uma prioridade para a OMS que, em 2013, aprovou um plano de acção até 2019 (“Universal eye health: a global action plan 2014-2019”), tendo como principal objectivo a redução de 25 por cento das deficiências visuais até essa data.

Para tal, este organismo tem coordenado e dinamizado diversas palestras nos seus estados-membro, de forma a que também estes assumam a “luta” contra os problemas visuais.

Actualmente, a OMS está a preparar um relatório mundial sobre a visão, cuja apresentação pública está prevista para final de 2018.

Portugal tem trabalhado na melhoria da saúde visual

Portugal está, este ano, empenhado na saúde visual infantil, com uma campanha da Direcção-Geral da Saúde de rastreios aos mais pequenos. O programa foi desenvolvido, numa fase piloto, na região Norte e, desde a sua implementação conseguiu alcançar “mais de 20 000 crianças, tendo-se verificado uma participação global de 68 por cento (13 562) das crianças elegíveis”, revela o Serviço Nacional de Saúde. O projecto foi, então, alargado a todo o território nacional, estando agora a decorrer em várias regiões.

O rastreio de saúde visual infantil consiste num exame de foto-rastreio aos olhos da criança e deve ser sistemático, com pelo menos uma observação oftalmológica das crianças com idades entre os zero e os dois anos e outra entre os dois e os cinco anos. O rastreio é seguro e inofensivo, gratuito e realizado por um técnico de ortóptica.

Portugal apostou, já este ano, numa “Estratégia Nacional para a Saúde da Visão”, coordenada pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), que tem como principal objectivo “expandir e melhorar a capacidade da rede de cuidados primários na área da saúde visual”, assentando no desenvolvimento “de uma plataforma de cuidados primários, suportada por pontos de rastreio, que incluem exames de saúde visual infantil, bem como o rastreio sistemático da retinopatia em todos os doentes diabéticos”.

De uma forma genérica, este documento pretende lançar linhas orientadoras que “garantam a universalidade dos cuidados de saúde visual à população portuguesa, melhorando a acessibilidade e garantindo a equidade” e, através deste modelo, “obter ganhos e qualidade em saúde, promover a cidadania e a literacia em saúde, bem como garantir uma monitorização contínua de todo o processo”. Além disso, este plano de acção propõe “a criação prioritária de uma Rede Nacional de Rastreio e Tratamento de Retinopatia da Prematuridade, bem como a reorganização dos serviços de urgência em oftalmologia”.

 

EM PORTUGAL:

Perda de visão à distância ao nível da cegueira (dados de 2017)

1990

Prevalência – 1,58%

População afectada – 229 762

População – 9 890 319

 

2010

Prevalência – 1,32%

População afectada – 283 752

População – 10 584 837

 

2020 (previsões)

Prevalência – 1,21%

População afectada – 304 759

População – 10 160 830

 

Sabia que…

  • 36 milhões de pessoas são cegas?
  • 217 milhões de pessoas têm dificuldade moderada a severa em ver à distância?
  • um bilião de pessoas têm dificuldades em ver ao perto?
  • dos números anteriores, 124 milhões têm erros refractivos por corrigir e 65 milhões têm cataratas?
  • cerca de 80 por cento das deficiências visuais podem ser evitadas?
  • a prevalência da cegueira e das dificuldades de visão, juntas, sofreram um decréscimo de 4,58 por cento em 1990 para 3,37 por cento em 2015?
  • 89 por cento dos problemas de visão (quer ao perto como ao longe) são de pessoas que vivem em países com mais carências económicas?
  • 55 por cento dos problemas de visão moderados a severos são em mulheres?
  • o número de pessoas com deficiência visual por doenças infecciosas reduziu bastante nos últimos 20 anos?

 

10 - Gráfico saúde visual

População – 424 milhões (25 países) / Pessoas com cegueira – 1 157 884 / Pessoas com deficiência visual moderada a severa – 9 610 821

 

 

 

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