Coimbra  17 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Eduardo Simões e AAC/OAF ponderam acordo

25 de Outubro 2017

Foi suspensa, hoje, a audiência inerente a um processo cível com que Eduardo Simões aspira a receber da AAC/OAF dois milhões de euros e a um pedido reconvencional com que a instituição reclama mais.
As partes desfrutam de um prazo para trabalharem no sentido de firmarem um acordo, apurou o “Campeão”.
Noventa por cento de sócios da Académica/OAF presentes, ontem (24), numa sessão da Assembleia Geral em que tomaram parte 81, ratificaram o pedido reconvencional apresentado pela Direcção contra o antigo presidente José Eduardo Simões, que reclama em Tribunal o pagamento de uma alegada dívida de dois milhões de euros.
“Emprestei, de forma pessoal e através de recurso a terceiros, verbas à AAC/OAF, (…) necessárias para [ela] sobreviver”, insistiu, terça-feira, o engenheiro civil, em mensagem enviada ao presidente da Mesa da Assembleia Geral e a membros do Conselho Académico.
Na perspectiva de José Eduardo, o Organismo Autónomo de Futebol da AAC, proprietário da Académica – SDUQ, “poupou entre 2,80 e três milhões de euros só em juros”.
Segundo o advogado Alexandre Mota Pinto, as verbas peticionadas (dois milhões de euros) por Eduardo Simões foram “uma vantagem patrimonial ilícita” conferida pelo empresário Emídio Mendes, como “ficou provado” no processo-crime com que o outrora timoneiro do clube foi condenado por corrupção passiva (enquanto antigo director municipal).
A Académica/OAF reclama de José Eduardo um montante de 3,04 milhões de euros, apurou o “Campeão”.
A quantia é reclamada na contestação a uma acção judicial, entregue ao Tribunal Cível, com que o ex-director de urbanismo de Coimbra alega ser credor.
Milhão e meio de euros reclamados pela AAC/OAF correspondem a reembolsos que ela entende ter feito indevidamente em prol do engenheiro civil.
Segundo a contestação, se o Tribunal não condenar José Eduardo a entregar 1,54 milhões de euros à instituição, deve obrigá-lo, ao abrigo da figura da reconvenção, a indemnizá-la no montante de dois milhões de euros, “correspondente a danos” alegadamente infligidos à Briosa. O outro milhão e meio de euros reclamados resultam de três parcelas: uma de 1,20 milhões de euros por danos patrimoniais, inerentes à perda de donativos na sequência da condenação de Eduardo Simões por corrupção passiva na qualidade de antigo director municipal, 100 000 euros a título de danos morais e 200 000 euros para ressarcir a AAC/OAF pela quantia que ela foi obrigada a entregar ao Estado.
Na petição inicial da acção em que José Eduardo alega ser credor, o anterior timoneiro da Académica/OAF alude a “múltiplos empréstimos” alegadamente concedidos por ele entre 2002 e 2006.
Vice-presidente no biénio (2003 – 04), Eduardo Simões foi timoneiro do Organismo Autónomo de Futebol da AAC entre 2005 e meados de 2016.
“Está provado que os fundos cuja entrega é pedida pelo autor constituíram um suborno” a um outrora director de urbanismo de Coimbra, José Eduardo Simões, que, no triénio 2003 – 05, exerceu o cargo em acumulação com o de dirigente da AAC/OAF, pode ler-se na referida contestação.