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Docente da UC participou em estudo sobre o Jurássico Inferior

16 de Julho 2017

Luís Victor Duarte, docente e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), participou num estudo internacional que descobriu que uma extinção marinha à escala global, ocorrida no período do Jurássico Inferior, deve ter durado cerca de um milhão de anos.

Foi o fenómeno de anoxia marinha e de perturbação do ciclo de dióxido de carbono, ocorrido há cerca de 182 milhões de anos, que levou a esta extinção marinha.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, foi desenvolvido nas arribas calcárias da península de Peniche, referência internacional no que respeita ao estudo do Jurássico Inferior, e no furo de sondagem Mochras, no País de Gales.

A investigação, liderada pela Universidade de Exeter (Reino Unido), assente no estudo de fragmentos orgânicos de origem continental contidos ao longo da sucessão carbonatada marinha, “demonstrou um aumento significativo de materiais carbonosos com indícios de terem sido queimados por incêndios naturais (carvão vegetal), numa posição temporal contemporânea nos dois locais de estudo”, revela a UC.

Estes incêndios, à semelhança da atualidade, só podem ser explicados através da disponibilidade em oxigénio, sendo essa a prova do final do evento anóxico.

Assim, os resultados deste estudo mostram que este é um “fenómeno de causa-efeito”, explica o investigador. “Devido ao aumento da concentração de dióxido de carbono, cuja origem tem sido largamente debatida, os fundos dos oceanos terão ficado pobres em oxigénio e a atmosfera, pela amplificação do efeito de estufa, terá aquecido substancialmente, associando-se a toda esta conjugação de factores, a extinção de alguns grupos de invertebrados”.

Luís Vítor Duarte continua, explicando que “com o aumento da concentração do chamado carvão vegetal (charcoal), em sedimentos cerca de um milhão de anos mais recentes do que o início do referido episódio de anoxia, demonstra-se o ‘timing’ do restabelecimento das condições de oxigenação dos ambientes marinhos e continentais bem como a recuperação da biosfera”.

Este estudo vem na sequência de outros trabalhos que se têm vindo a realizar em Peniche, já publicados em várias revistas da especialidade e que “colocam este local como um dos mais importantes no reconhecimento deste evento à escala global”, adianta o também investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da UC.

Esta nova descoberta “contribui para a compreensão das interacções entre os diversos sistemas terrestres. Considerando a importância que esta temática tem no mundo atual, com as visíveis e sentidas alterações climáticas, os resultados deste estudo ajudam a perceber o funcionamento dos ciclos biogeoquímicos bem como os possíveis efeitos das mudanças rápidas nas emissões de carbono”, conclui o investigador.