Coimbra  16 de Agosto de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Criado novo índice para avaliar desigualdade de género

15 de Maio 2018

Uma investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra criou, recentemente, um novo índice para avaliar a desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho.
Segundo a Agência Lusa, trata-se de uma inovação que procura olhar para a problemática a partir de uma perspectiva global.
Carina Jordão iniciou uma tese de doutoramento sem o objectivo definido de criar um novo índice para avaliação da desigualdade de género, mas a constatação da inadequabilidade dos indicadores existentes levou-a a criar um novo.
Ao contrário dos outros, ele pretende analisar a desigualdade no mercado de trabalho enquanto “fenómeno holístico”, indicou a investigadora.
Deste modo, Carina Jordão criou o ICIL – Indicador Composto de Igualdade Laboral, que permite “medir de forma holística o nível de igualdade relativa” nos países da União Europeia, combinando, simultaneamente, diferentes indicadores simples: participação no mercado de trabalho, presença em cargos de chefia e liderança, salários e condições laborais.
Posterior à criação do ICIL, a investigadora aplicou-o ao período de 2008 a 2013, em que a Letónia, a Eslovénia e a Finlândia obtiveram os melhores resultados (a Letónia está no primeiro lugar do ‘ranking’; entre 2010 e 2013), oscilando Portugal entre o 18º. lugar e o 16º.
Porém, os resultados da Letónia não significam que lá tenha sido atingida “a plena igualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho”, adverte Carina Jordão.
Na análise aos resultados da Letónia no ICIL, notou-se que “os avanços nos níveis de igualdade têm vindo a ocorrer em concomitância com um agravamento generalizado da situação laboral das mulheres e também dos homens” – algo que igualmente se verifica noutros países afectados pela crise económica e social com início em 2008 (como é o caso de Portugal).
A argumentação económica parece “ignorar, ou pelo menos relegar para um plano secundário, outros aspectos igualmente importantes na vida de qualquer pessoa empregada, como as questões salariais, as condições de trabalho ou a estabilidade profissional”, assinala a  investigadora.