Coimbra  25 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Côja: Corporação quer celebrar aniversário junto da população

27 de Janeiro 2018

A vila de Côja, considerada como a “Princesa do Alva”, junta-se, amanhã (28), para celebrar os 55 anos da sua Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (AHBVC).

O objectivo da Direcção é reunir os cidadãos de Côja para “prestar a devida e merecida homenagem ao corpo de bombeiros”, para que o “bom convívio e a esperança sejam retomados”, declarou o presidente, Jorge Silva.

Depois da “catástrofe nacional” que varreu quase toda a sua zona de intervenção, a AHBVC talvez tenha sido das poucas em todo o país a não sofrer danos, quer materiais como humanos. O rasto de devastação florestal deixou cerca de 20 milhões de euros em estragos, dos quais cinco milhões são referentes a habitações permanentes ou de segunda habitação, contudo, sem mortes. E é, por isso, que a Direcção e o Comando dos Bombeiros Voluntários de Côja quer celebrar este aniversário junto da população que, heroicamente, se manteve ao lado dos operacionais e, como pôde, ajudou a combater as chamas.

“Sobrevivemos a esta catástrofe, mantendo áreas importantes praticamente intocáveis pelo fogo, como é o caso do Piódão, a mais bela das Aldeias do Xisto, e a Mata da Margaraça, enquanto reserva biogenética, considerada como o último reduto de vegetação original do Centro do país, bem como dois postos de combustível e um depósito de gás natural com 80 000 litros”, explica Jorge Silva. O presidente da AHBVC adianta, ainda, que não será esquecido que “sem qualquer ajuda exterior, [os bombeiros de Côja] mantiveram os pontos mais vulneráveis e potencialmente mais perigosos incólumes”.

População lado a lado com os bombeiros

O entrosamento com a população é tal que, no dia do grande incêndio (a 15 de Outubro), bastou pedir aos cidadãos para saírem de casa, que assim fizeram, cumprindo as normas de segurança, além de, durante o ano, os elementos “alertarem a população para a necessidade de limpar os terrenos, de forma a salvaguardar a casa”, um conselho que ajudou a proteger muitas habitações do fogo.

Por isso, quer a Direcção como o Comando acreditam que as expectativas para este aniversário são as melhores, já que a Associação só promove comemorações de cinco e cinco anos.

“Estamos num momento de renovação, para preparar o que aí vem no futuro”, explicou Jorge Silva. Paulo Tavares, comandante da corporação, também está entusiasmado com a ideia de festejar os 55 anos com a população que auxilia, esperando que a mesma “tenha compreendido aquilo que foi preciso fazer aquando dos fogos”, mas com a certeza de que “estão com os bombeiros”.

A participação dos cidadãos nestas celebrações são, também, importantes para “chamar a atenção para a parte humana dos bombeiros e para a necessidade de se encontrarem mais voluntários, porque há falta de elementos”, lamentou o comandante.

Outra prova de que a população agradece o esforço e a protecção dos bombeiros é o acréscimo de associados, desde há dois anos para cá, nomeadamente, por parte dos estrangeiros que habitam no concelho.

“Temos, de facto, um grupo de associados extraordinário. Só em estrangeiros temos mais de 100 sócios, com um aumento que é uma mais valia para a nossa Associação, porque temos protocolos com eles, de forma a auxiliá-los prontamente”, esclareceu Jorge Silva, adiantando que a Associação fez um “levantamento exaustivo dos imigrantes a viver em Arganil, para que seja mais fácil socorrê-los em casos de emergência, através das coordenadas GPS”.

Para quem quiser ser sócio e ajudar os bombeiros na sua missão, basta contactar os Voluntários de Côja e pagar quotas anuais no valor de 10 euros.

Voluntários e renovação da frota são prioridade

As comemorações decorrerão no quartel, amanhã, logo pelas 09h00, momento em que serão hasteadas as bandeiras. Às 10h30 realiza-se a habitual formatura dos elementos da corporação, seguindo-se a recepção às entidades convidadas, já com a certeza da recusa de altas personalidades do Estado, como o Presidente da República, primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República e ministro da Administração Interna.

A sessão solene, que irá incluir os tradicionais discursos e a condecoração de bombeiros, está prevista para as 11h30. Serão homenageados cerca de 50 elementos do corpo activo, com as habituais medalhas de anos de serviço, e um elemento que irá receber a medalha de ouro.

Pelas 13h00, realiza-se a bênção de duas novas ambulâncias, uma das quais será baptizada com o nome de Susana Redondo, uma benemérita a amiga dos bombeiros de Côja que será, uma vez mais, homenageada pela AHBVC.

As celebrações terminam com um almoço convívio entre todos.

Juntos para celebrar estes 55 anos estarão os cerca de 60 elementos que compõem o corpo activo de Côja, que na sua missão diária são acompanhados por um frota de 34 viaturas, e que, a par da atracção de mais voluntariado, a renovação dos veículos são as principais prioridades da Associação.

Na presidência há 10 anos, Jorge Silva reconhece que é necessário “recuperar a capacidade de auxiliar e de responder às necessidades da população. E como tal, a renovação da frota é muito importante, até porque a Associação tem ambulâncias com 800 000 quilómetros”. O responsável adianta que, a pouco e pouco, essa renovação tem vindo a ser feita, através da “recuperação de três carros de fogo e a aquisição, este ano, de mais duas ambulâncias”.

“Este ano foi particularmente difícil, o que obrigou a um grande esforço daqueles que ainda lá vão resistindo, mas sem dúvida que um dos grandes desafios para os próximos anos é manter esta base de voluntariado e renovar a frota”, corrobora o comandante Paulo Tavares.