Coimbra  20 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Coimbra tem serviço de Pedopsiquiatria “ao nível do que há de melhor”

12 de Março 2017

A região Centro tem cerca de 300 000 crianças e jovens (com menos de 18 anos) a necessitarem de cuidados pediátricos. Destas, estima-se que perto de 60 000 tem necessidade de cuidados de saúde mental infanto-juvenil e que destes um em 1 000 precise anualmente de internamento em Pedopsiquiatria.

Mas estes utentes podem ser acompanhados com o devido cuidado e profissionalismo desde Dezembro, altura em que foi aberto o internamento em Pedopsiquiatria no Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC).

Na inauguração da nova valência, José Martins Nunes, presidente do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), afirmou que o serviço estava, agora, “ao nível do que há de melhor”, passando a oferecer uma “resposta completa em todas as áreas da Psiquiatria nos diversos escalões etários.

Esta era uma valência de extrema necessidade para a região Centro, que acolhe crianças e jovens de toda a região e de alguns concelhos do distrito de Aveiro, Viseu e Leiria. Anteriormente, os doentes eram “mantidos em consulta externa com doses mais elevadas de psicofármacos para diminuir os riscos de auto e hetero-agressividade, por vezes com múltiplas vindas à Urgência”, explica José Garrido, director do Serviço de Pedopsiquiatria do HPC, acrescentando que, caso fosse necessário o internamento, este era feito “em enfermarias de Psiquiatria de adultos ou de Pediatria” ou poderiam, até, “ser enviados para internamento no Porto ou Lisboa”.

Antes da abertura da nova valência, e desde 2008, que o número de consultas, quer em Pedopsiquiatria como em Psicologia, tem vindo a subir consideravelmente, exceptuando o ano passado, em que houve um decréscimo acentuado, de 11774 casos, em 2015, para 8752, em 2016. Contudo, em cinco anos, de 2010 a 2015, o número de consultas duplicou em larga escala (de 5 943 para 11 774 pedidos de consulta).

Esta descida pode estar relacionada com o facto de, em Janeiro de 2016, ter tido início o Serviço de Urgência diário, que atendeu 929 doentes até final do ano.

Segundo José Garrido, “desde 2011, inicialmente com uma ‘Consulta Aberta’ diária, e ainda sem internamento, a média de episódios de urgência tem sido de três por dia (cerca de 1 000 por ano)”, números que o responsável prevê que aumentem significativamente.

Para o serviço de Pedopsiquiatria o número de camas aconselhado para cobrir a zona Centro é de oito a 10, esperando-se uma taxa de ocupação de 85 por cento “de forma a dar resposta aos pedidos urgentes”, sendo que o tempo médio de internamento se situa nos 21 dias. Prevê-se, então, a utilização anual de 120 utentes para internamento (10 por mês) e de 1 500 atendimentos no serviço de Urgência.

Necessidade de ter equipas multidisciplinares para articulação com a comunidade

“Face ao aumento do número de pedidos de consulta e à sua maior urgência [suicídio é a segunda causa de morte na adolescência em Portugal], preocupa-me a falta de resposta diferenciada em tempo útil e a insuficiência de acções preventivas que permitam diminuir, conter e limitar as consequências dos problemas a curto, médio e longo prazo”, salienta o responsável pela Pedopsiquiatria.

José Garrido é, por isso, apologista de ter equipas multidisciplinares nos serviços, já que estas poderão intervir em situações diferenciadas, bem como “promover e colaborar em acções preventivas, de sensibilização e formação”, um trabalho que deve ser feito em parceria com as outras estruturas da comunidade, para além da própria criança e da sua família ou cuidadores, com as escolas, lares, centros de acolhimentos de crianças e jovens, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, etc.

Depois da abertura do serviço de internamento, que foi financiado pela Fundação EDP, houve um reforço dos recursos humanos de diferentes áreas, com a integração de três médicos, um psicólogo, uma terapeuta ocupacional, 10 enfermeiros, seis assistentes operacionais e um administrativo.

Especialidade autónoma e independente, a Pedopsiquiatria desfruta de internato médico hospitalar desde 1983, tendo dado azo, há perto de 20 anos, à criação de um departamento no outrora Centro Hospitalar de Coimbra (CHC).

Com a inclusão do CHC no CHUC, José Alberto Garrido assumiu a liderança do Serviço de Pedopsiquiatria.