Coimbra  21 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Morreu Francisco Castro e Sousa

24 de Janeiro 2018

O cirurgião conimbricense Francisco Castro e Sousa morreu, ontem à noite, em Lisboa, aos 70 anos de idade, vítima de doença.

O médico, que sofria de doença oncológica, encontrava-se internado no Hospital de Pulido Valente, na medida em que tinha familiares a residir na capital.

O corpo de Francisco José Franquera de Castro e Sousa está em câmara ardente, desde as 16h00 de hoje, na Igreja do Loreto, ao Chiado, em Lisboa. Pelas 13h00 de amanhã (quinta-feira) terão início as exéquias fúnebres, com celebração de missa de corpo presente, seguindo o funeral para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, Francisco Castro e Sousa deixou uma forte marca na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e na área da cirurgia.

Professor catedrático jubilado da FMUC (da qual foi timoneiro entre 2004 e 2009), dirigiu durante mais de 30 anos o Serviço de Cirurgia III dos ex-HUC – agora denominado Serviço de Cirurgia A do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) -, tendo, também, sido director de Departamento de Cirurgia e Transplantação.

A 05 de Dezembro de 2017, Francisco José Franquera Castro e Sousa foi distinguido pelo Presidente da República com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.

Natural de Coimbra, com 70 anos, Francisco Castro e Sousa doutorou-se em 1982, com a dissertação “Tratamento Cirúrgico da Ascite Cirrótica”, e era especialista em cirurgia geral desde 1976.

A 30 de Junho de 2017, ao proferir a “última lição”, Castro e Sousa disse ter “cicatrizes que não esconde”, após a realização de 14 800 cirurgias ao longo da sua carreira. O cirurgião referiu ter tido “uma fase difícil no ano passado (2016)”, devido a doença, e aludiu ao facto de ter sido “posto na rua dos Hospitais da Universidade por uma carta que não percebeu o que dizia”.

Figura de prestígio nacional e internacional, como foi sublinhado por inúmeros intervenientes na muito concorrida sessão que decorreu no auditório dos HUC, Castro Sousa não deixou de ser, também, uma personalidade controversa e declarava-se com “fé e força para vencer as adversidades”.

Para José Guilherme Tralhão, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia, Castro Sousa, que liderou durante vários anos esta instituição, “soube estimular a escola de ciência e as relações humanas” com “o seu legado a ficar em boas mãos”.

Amigo e companheiro do jubilado, Henrique Bicha Castelo destacou no cirurgião o seu “insaciável espírito de progresso e liderança”, nomeadamente na introdução da cirurgia laparoscópica e hepatobiliar, onde atingiu melhores resultados do que em França ou nos EUA.

Para outro cirurgião, António Araújo Teixeira, professor da Universidade do Porto e do Hospital de S. João, Castro Sousa foi “exímio na arte com as mãos” e soube “ser responsável pela vida de quem lhe foi confiado”, enquanto Pedro Beja, então na qualidade de membro da administração do CHUC, destacou “a escola cirúrgica que iniciou nos HUC e deixa perpetuada na instituição hospitalar”.

Acentuando que “é melhor o risco do que a tibieza das conversas fáceis”, Paulo Mora, da Faculdade de Medicina da UC, sublinhou o percurso académico e científico de Castro Sousa, mas também, “como é dever daquela escola, a missão de servir a comunidade”.