Coimbra  20 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Importância da vitamina D na saúde pública em debate

13 de Outubro 2017

A terceira edição do Fórum D, dedicado à vitamina D e ao seu impacto na saúde pública, realiza-se amanhã (14), a partir das 10h00, no hotel D. Inês, em Coimbra.

Embora Portugal seja um país onde o sol é quase “habitante” permantente, os baixos níveis de vitamina D na população são uma realidade, segundo alerta o especialista em reumatologia da Universidade de Coimbra (UC), José António Pereira da Silva.

O Fórum D é, em Portugal, o único evento dedicado a esta temática, sendo que nesta edição os temas a debater estão relacionados com as especificidades da análise de vitamina D no sangue, a sua relação com as doenças cardiovasculares, o impacto da vitamina D em doenças de pele, alergias, doenças reumáticas, entre outros.

O objectivo, segundo a comissão organizadora, “é trazer à luz da sociedade e da comunidade médica a verdade científica sobre a vitamina D e a sua utilização na prática clínica, ajudando os médicos a definir estratégias de actuação relativas a esta vitamina nas mais variadas doenças”.

José Pereira da Silva, que faz parte da organização, salienta que, no evento, serão abordados “vários aspectos relacionados com a vitamina D, nomeadamente o progresso recente do conhecimento da vitamina D, perspevtivando a sua aplicação na prática clínica”.

O evento é destinado aos médicos em geral, uma vez que “nenhuma especialidade pode, hoje em dia, dizer que nada tem a ver com a vitamina D”, adianta o especialista, acrescentando que se aplica, ainda mais, em especialidades que lidam com uma grande variedade de doenças como é o caso da Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Pediatria”.

No Fórum, os médicos poderão conhecer e aprender informação relevante para a sua prática, contudo, outros profissionais de saúde ligados à análise da Vitamina D ou para quem está envolvido em educação para a saúde, como os enfermeiros, são bem-vindos neste debate.

Portugueses têm níveis de vitamina D inferiores aos nórdicos

O médico reumatologista alerta para os baixos níveis de vitamina D na população portuguesa, que são inferiores aos cidadãos dos países nórdicos.

“Não basta estar sol lá fora. É preciso expor a nossa pele ao sol e os portugueses são pouco dados a isso, pois quando está bastante calor tendem a fugir do sol”, explicou Pereira da Silva à agência Lusa.

Os portugueses “se apanhassem sol com alguma regularidade, dado que o clima proporciona vários meses de exposição solar, deviam, de facto, ter menos falta de vitamina D do que esses países”, realça.

O médico prossegue com uma afirmação que poderá ser polémica, já que: “tradicionalmente em Portugal não apanhamos sol nas horas de maior calor, que são aquelas em que o sol é mais capaz de produzir a vitamina D, que é entre as 11h00 e as 16h00, entre Abril e Outubro, e nas quais evitamos fazê-lo”. Pereira da Silva considera que os apelos das autoridades de saúde para que as pessoas evitem essas horas de exposição solar deveriam ser no sentido de se ter cuidado “com a exposição excessiva ao sol”, até porque “a dose necessária [de sol] para produzir a vitamina é muitíssimo inferior à dose necessária para causar uma queimadura ou para aumentar o risco de cancro da pele”, frisou.

Segundo o especialista, a falta de vitamina D é directamente responsável por doenças como a osteoporose, “que já é um problema de saúde pública”, e a osteomalacia, consequência directa de falta de vitamina D, o equivalente no adulto ao raquitismo.

Relativamente à relação entre as doenças oncológicas e certos tipos de infecção, o médico considera que a prova “não é absolutamente sólida, pelo que não se sabe se a falta de vitamina D é a causa ou apenas o acompanhante destas patologias”. Contudo, acrescenta, há uma relação muito forte com a longevidade.

“As pessoas que têm níveis mais baixos de vitamina D morrem mais cedo e respondem pior aos tratamentos oncológicos”, adiantou o professor da UC, acrescentando que a suplementação é “muito barata e segura” e que muitos países europeus já o fazem na população mais idosa.

O Fórum D, que contará com a presença de duas centenas de médicos, irá, também, debater e resolver algumas “controvérsias recentes” relativas ao doseamento e prescrição da vitamina D em Portugal.