Coimbra  13 de Dezembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Hospital aspira a reduzir risco de AVC’s

13 de Outubro 2017

A Unidade de Intervenção Cardiovascular do Hospital dos Covões (Coimbra) aspira a reduzir o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC’s).

Para isso pretende aumentar, nos próximos anos, o número de intervenções de encerramento do apêndice auricular esquerdo, revelou a Agência Lusa, citando o médico Lino Gonçalves.

“Estamos a falar de uma intervenção bastante sofisticada, que se integra na estratégica de promoção da elevada diferenciação dos procedimentos e da oferta de tratamentos e diagnósticos aos doentes”, disse o director do Serviço de Cardiologia daquele hospital (integrado no CHUC – Centro Hospitalar Universitário de Coimbra).

O AVC é um grave problema de saúde pública, constituindo a primeira causa de incapacidade prolongada de doentes em Portugal, havendo mais de 20 por cento dos casos a possuir relação directa com a fibrilhação auricular, explicaram os médicos Marco Costa e Lino Gonçalves.

“Uma parte substancial desses AVC’s tem origem cardioembólica, ou seja há um trombo que sai do coração e pode obstruir uma artéria no cérebro; este cardioembolismo tem muito a ver com a fibrilhação auricular (arritmia), que afecta mais de 140 000 pessoas em Portugal”, indicou Marco Costa.

Segundo o cardiologista, esta arritmia é tratada com fármacos anticoagulantes, que são a “primeira escolha” para pacientes, embora, “infelizmente, haja alguns problemas e contra-indicações” a impedir alguns doentes de beneficiarem desta terapêutica.

Os pacientes impedidos de beneficiarem dos fármacos anticoagulantes podem sujeitar-se à intervenção de encerramento do apêndice auricular esquerdo, onde 90 por cento dos trombos podem ter origem.

Este tipo de prática começou, há seis anos, no Serviço de Cardiologia do Hospital dos Covões, quando estava a principiar em todo o mundo, tendo acabado de ser alcançada a centésima intervenção.

O cardiologista Marco Costa salienta que os resultados são francamente satisfatórios devido ao amadurecimento e simplificação da técnica, que garante uma taxa de complicações muitíssimo baixa e uma probabilidade de benefício do doente bastante alta, nomeadamente quanto à redução dos AVC’s e complicações hemorrágicas.

O objectivo consiste em aumentar o número de intervenções para 50 por ano.

Associada à questão da diferenciação e da qualidade desta intervenção, o director do Serviço de Cardiologia B do Hospital dos Covões realçou, ainda, a internacionalização do CHUC na abertura de dois centros em França e na Bélgica.

“Face aos relevantes resultados obtidos, tendo como razão primeira o elevado empenho e saber de profissionais integrados numa equipa altamente motivada, reitero o firme apoio a esta área de intervenção”, indicou o presidente do Conselho de Administração do CHUC, Fernando Regateiro.