Coimbra  21 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Arqueólogos contestam declarações de Manuel Machado

9 de Novembro 2018

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ), Regis Barbosa, qualificou como “absurdas” as declarações do presidente da Câmara de Coimbra no sentido de as autarquias deixarem de ser obrigadas a contratar arqueólogos para projectos de obras.

O autarca de Coimbra, Manuel Machado, sugeriu uma alteração legislativa para se pôr fim à obrigatoriedade de as câmaras municipais contratarem arqueólogos, a fim de que não criem obstáculos às obras públicas nem aumentem os seus custos, durante uma sessão pública, a 26 de Outubro [de 2018], mas só esta semana as declarações suscitaram a indignação de arqueólogos e outros profissionais do sector, nas redes sociais, nomeadamente, num fórum Archport, de arqueólogos.

Manuel Machado, que também é presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), na cerimónia de consignação da empreitada de estabilização e requalificação da margem direita do rio Mondego, falou em “custos de contexto” que poderiam vir a ser anulados, neste tipo de obras, e deu a contratação de arqueólogos como exemplo desses custos.

Apesar de estes custos serem “compreensíveis em determinados contextos”, “seria bom que a legislação portuguesa nos desobrigasse destas obrigações”, afirma Manuel Machado, no vídeo partilhado pelos arqueólogos.

O presidente da Câmara de Coimbra lembrou, então, que para as obras de estabilização e requalificação da margem direita do Mondego teve de “contratar arqueólogos” e, terminado o seu trabalho, “a coisa mais antiga” por eles descoberta foi o que restava de carrinhos de hipermercados usados para transporte de bebidas por ocasião das festas académicas.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, em declarações à Agência Lusa, Manuel Machado “vê o património como um encargo e não como ele deve ser entendido: um valor para as populações”.

Regis Barbosa afirmou-se “muito preocupado” com as declarações de Manuel Machado, referindo que a classe dos arqueólogos pondera uma tomada de posição pública e uma resposta ao autarca.

Um vídeo com as declarações de Manuel Machado, durante a sobredita cerimónia, foi partilhado por investigadores e professores nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, e chegou ao fórum Archport, de profissionais da arqueologia e da museologia.

 

 

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