Coimbra  22 de Setembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra / aeroporto: Promessa morta com “um truque”, diz vereador

9 de Abril 2018

O vereador José Manuel Silva afirmou, hoje, que a encomenda de um estudo, feita pela Câmara de Coimbra, “representa o truque” de Manuel Machado “para não cumprir a promessa eleitoral” do aeroporto.
O líder do movimento “Somos Coimbra” aludia à promessa de transformação do aeródromo de Antanhol e Cernache “por 12 milhões de euros com custos de apenas dois milhões para a autarquia”.
“Afinal, embora sem qualquer humildade, o Senhor presidente da Câmara [Municipal de Coimbra] vem assumir que andou a enganar as pessoas e que a promessa eleitoral é incumprível”, declarou o vereador.
Como noticiou o “Campeão”, recentemente, a Câmara conimbricense vai destinar 20 000 euros à “revisão estratégica dos planos municipais para a mobilidade aérea”, depois de o presidente ter ignorado a pretensão do vereador José Manuel Silva em aceder ao dossiê da eventual transformação do aeródromo de Antanhol e Cernache em aeroporto.
A edilidade, na sequência de procedimento pré-contratual de ajuste directo, outorgou com a empresa CONPROJUR – Consultadoria e Projectos Urbanos um contrato para o efeito.
No dia da sua tomada de posse, há perto de meio ano, o líder do Município de Coimbra, Manuel Machado (PS), voltou a acenar com um aeroporto internacional, dizendo tratar-se de “um projecto a iniciar de imediato, partindo de estudos que a Câmara encomendou e pagou, noutros períodos”, sem que lhes haja sido dada sequência.
Tendo Manuel Machado reconhecido que foram encontrados anteriores estudos/planos sobre o aeroporto, “já está em condições de os disponibilizar ao público, ou, sem coragem e sem argumentos para debater esta matéria, continua a achar que isto da democracia é uma chatice e que há que esconder tudo de toda a gente”?, questionou o líder de “Somos Coimbra”.
Para o vereador, “depois de o presidente proclamar, no afã do entusiasmo eleitoral, que o aeroporto estaria concluído até 2021, é evidente, agora, que vai ficar para as calendas gregas”.
“Mas o grande culpado da mudança”, segundo o autarca do movimento cívico, “já está encontrado e pago – vai ser o parecer do engenheiro Manuel Queiró”, que liderou um “fórum” a preconizar a abertura da base aérea de Monte Real à aviação civil.
O vereador baseia o seu prognóstico no facto de Manuel Queiró possuir “total liberdade para apontar localizações alternativas”.
“Quer uma sugestão, a custo zero, de uma localização alternativa”?, questionou José Manuel Silva, que aludiu ao planalto da Mata de S. Pedro (Botão). “Mas há mais hipóteses, que não verbalizo para não esvaziar o estudo encomendado e pago”, prosseguiu o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, advertindo ser indispensável “multiplicar muitas vezes os tais 12 milhões de euros”.
Na óptica do líder de “Somos Coimbra”, “a estratégia de Manuel Machado é muito simples: matar a promessa que fez na recente campanha eleitoral, pagando um estudo para ser o culpado, e, ele ou outro candidato, apresentar ‘o grande estudo do grande aeroporto’ na próxima campanha eleitoral, que depois não [se] concretizará por falta de capacidade, como tantas outras promessas mentirosas que todos recordamos”. “O estranho é o povo não estranhar”, considerou José Manuel Silva.
“Para que Coimbra não permaneça sempre adiada com falsas promessas: concretize, pelo menos, a transformação do aeródromo de Bissaya Barreto num aeródromo de qualidade internacional, capaz de receber jactos executivos, os Dornier 228/200, que operam nas linhas internas e aterram em Viseu, eventualmente também os ATR 72-600, de que a TAP tem oito aeronaves, pois podem levar até 70 passageiros, apenas necessitam de uma pista de 1 333 metros e têm um alcance de 1 528 quilómetros”, concluiu o vereador.
De acordo com Manuel Machado, “mesmo aqueles que parodiaram” com a sua promessa eleitoral estão convidados para a inauguração do anunciado aeroporto internacional de Coimbra.