Coimbra  25 de Junho de 2018 | Director: Lino Vinhal

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CMC: Machado percebeu não ter razão, “Somos Coimbra”

8 de Junho 2018

José Manuel Silva disse, hoje, que Manuel Machado mandou apagar a gravação da primeira sessão do actual executivo da CMC ao perceber não ter razão no âmbito da polémica entre os dois autarcas.

“A audição da gravação provou que tenho razão e que os vereadores de ‘Somos Coimbra’ não estavam distraídos”, a 31 de Outubro de 2017, por ocasião da votação sobre o Regimento da Câmara conimbricense, declarou ao “Campeão” o líder do movimento cívico e anterior bastonário da Ordem dos Médicos.

O vereador insiste que ele e Ana Bastos votaram contra e que, “por isso mesmo”, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra não disse tratar-se de um instrumento aprovado por unanimidade, embora seja isso a constar da acta.

O gabinete da Presidência da Câmara de Coimbra considerou que Silva faltou à verdade ao acusar, ontem (07), Manuel Machado de “falsificação consciente de uma votação”.

Segundo um comunicado divulgado pela Assessoria de Imprensa da autarquia, o líder do movimento ‘Somos Coimbra’ “não tem razão nem fala verdade”.

“À intervenção, pormenorizada e fundamentada, feita pelo movimento, demonstrando como Manuel Machado e Carlos Cidade falsificaram conscientemente uma votação, a Câmara respondeu como esperado e como podia”, alega o líder de “Somos Coimbra”.

Para José Manuel, “os factos provam, no entanto, inequivocamente, quem mente”. Segundo ele, “essa foi a razão de, contra as mais elementares regras da democracia e da vontade de apuramento da verdade, haverem Manuel Machado e Carlos Cidade mandado prepotentemente apagar a gravação, cujo teor faria prova definitiva do que se passou”.

“Ao terem recusado que a gravação fosse ouvida, quiseram [os dois autarcas do PS] calar a verdade”, acrescenta o vereador, em cujo ponto de vista a recusa de um requerimento formal para a gravação não ser apagada configura “um claro acto demonstrativo de má-fé”.

Para Silva, “agora, perante a existência de uma cópia da gravação, que não deixa margem para dúvidas de que o Regimento da CMC não foi aprovado por unanimidade, [Machado e Cidade] ignoram a sua existência e refugiam-se na demagogia”.

Segundo a Assessoria de Imprensa da CMC, é importante “relevar que o procedimento adoptado em relação à gravação” consistiu em efectuar a “sua destruição, logo no dia seguinte à aprovação da [correspondente] acta”.

“Claro que, com humildade, admitimos que pudesse ter havido uma distracção da nossa parte – foi por isso que quisemos ouvir a gravação; se o erro houvesse sido dos vereadores do movimento ‘Somos Coimbra’, teríamos de o assumir com respeito democrático”, assinala José Manuel.

“Afinal, a cópia da gravação prova que quem não estava atento era o Sr. presidente da Câmara e que quem manipulou ostensivamente o resultado da votação (…) foi a maioria socialista da autarquia, sem qualquer respeito pelas mais elementares regras da democracia”, conclui José Manuel Silva, reiterando o apelo para Manuel Machado e Carlos Cidade renunciarem aos cargos.

O gabinete da Presidência da Câmara conimbricense não alude ao facto de o respectivo chefe, Nuno Mateus, haver sugerido a “Somos Coimbra” a apresentação de requerimento para preservação da gravação inerente à sessão camarária em xeque e, ainda assim, ela ter sido apagada.

De acordo com José Manuel Silva, após audição da gravação por parte dos vereadores de “Somos Coimbra”, houve tentativa de Carlos Cidade a ouvir, sem que o vereador do PS acedesse a tal pedido.