Coimbra  16 de Agosto de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Cientistas da UC desenvolvem um novo aerogel para utilização espacial

12 de Fevereiro 2018

O desafio foi lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) e superado por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da empresa Active Aerogels, que desenvolveu um novo tipo de aerogel “limpo”.

Os aerogéis produzidos pela empresa conimbricense Active Aerogels possuem já características como o super isolamento térmico, extrema leveza e flexibilidade, contudo, “a sua aplicação no sector espacial é limitada devido a alguma libertação de pó e partículas, o que os torna pouco práticos para a ESA”, revela a UC, em comunicado.

“A montagem de qualquer componente espacial é efectuada em salas limpas que têm de cumprir vários critérios, sendo um deles a contaminação por partículas que é definida em várias classes, a libertação de pó e partículas é crítica, mesmo que o aerogel seja encapsulado, porque em caso de quebra ou rasgo acidental, o risco de contaminação continua a ser bastante elevado”, adianta a Universidade, sublinhando que o objectivo desta investigação foi, precisamente, “para ultrapassar este problema”.

Em conjunto, a equipa com membros da FCTUC e da Active Aerogels, “desenvolveu e testou várias estratégias de síntese com o objectivo de reduzir a libertação de pó e partículas, obtendo um aerogel ‘limpo’”, explica. A “fórmula de sucesso” é constituída por uma combinação de poliimidas (um tipo de polímero muito forte e resistente) com sílica, material já usado nos actuais aerogéis produzidos pela empresa.

“Das várias experiências já realizadas em laboratório, o desempenho deste novo aerogel híbrido tem cumprido o objectivo, ou seja, o novo aerogel não liberta pó nem qualquer tipo de partículas e mantém todas as propriedades da anterior geração de aerogéis”, garante Marta Ochoa, responsável pela área de investigação e desenvolvimento da Active Aerogels.

Depois de criado o aerogel “limpo”, a equipa vai, agora, avançar “para novos testes, tendo em vista a optimização do processo, e posteriormente prosseguir para a fase de ‘scale-up’ de forma a conseguir produzir aerogéis nas dimensões necessárias à aplicação final”, adianta.

Esta descoberta irá permitir “aumentar a maturidade do produto e, assim, o seu potencial de mercado, não só para espaço como para a aeronáutica e até mesmo para a construção civil”, acrescenta Fábio Silva, responsável de vendas da Active Aerogels.

O projecto “AerogelDustFree”, orçado em 700 000 euros, foi financiado por fundos da União Europeia (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), Portugal 2020 e Centro 2020.

Em curso, a empresa tem ainda outro projecto – “AGIL” (AeroGel In Line) -, também financiado por fundos europeus (de mais de 450 000 euros), que visa “conseguir fabricar aerogel em sistema contínuo de modo a aumentar significativamente a quantidade produzida e consequentemente baixar os custos associados ao seu fabrico”.

Apesar de o aerogel ser bastante conhecido como excelente isolante térmico, a sua disponibilidade no mercado é ainda bastante reduzida. Nesse sentido, o projecto “AGIL” pretende confirmar que é possível solucionar este problema através da investigação e desenvolvimento de uma linha de produção de aerogel em contínuo.