Coimbra  20 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Cientistas da UC criam tecnologia baseada no som do bater do coração

8 de Abril 2019

Paulo de Carvalho, especialista em informática clínica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

 

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), liderada por Paulo de Carvalho, criou uma nova abordagem tecnológica baseada no som dos batimentos cardíacos.

A descoberta permite “a monitorização contínua das doenças do coração em casa”, revela a UC, adiantando que esta é uma “tecnologia de baixo custo e não invasiva em que o som cardíaco é a chave de acesso a um conjunto de informação necessária para caracterizar e avaliar o funcionamento do coração”.

“A partir do som do batimento cardíaco, obtido com recurso a pequenos sensores, desenvolvemos um algoritmo [software] que permite extrair automaticamente os denominados tempos sistólicos do coração e estimar o débito cardíaco”, refere o docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, sublinhando que “há dois tempos sistólicos que são fundamentais para a avaliação do

estado de saúde do coração: o período de pré-ejeção (PEP), que funciona como comando para o coração contrair (uma espécie de “motor de arranque”), e o período de ejecção – o tempo que o ventrículo esquerdo está contraído para ejectar o sangue para a aorta”.

Com os dados obtidos durante este processo, a nova tecnologia poderá “avaliar continuamente a função cardíaca fornecendo aos cardiologistas o relatório sobre a situação do doente”, nota a Universidade. De que forma? O sistema integra três componentes, “designadamente sensores, que podem ser colocados, por exemplo, no vestuário; um telemóvel que agrega os sinais provenientes dos sensores e um servidor que armazena a informação”.

Assim, a grande vantagem desta tecnologia é permitir “o seguimento permanente de vários tipos de patologias cardiovasculares, em particular a insuficiência cardíaca, em ambulatório”, adianta.

“Não estamos a inventar informação nova, já que a auscultação sempre foi e continua a ser uma fonte de informação extremamente relevante no diagnóstico e prognóstico médico, sobretudo em cardiologia, apenas encontrámos uma nova solução para fornecer ao clínico informação que ele já percebe. Ou seja, descobrimos uma forma de obter em casa informação que até agora só era possível adquirir no hospital”, refere Paulo de Carvalho, realçando que esta nova abordagem permite, ainda, que “o doente tenha um acompanhamento constante e de longo prazo no conforto do seu lar”.

Refira-se que, actualmente, o acompanhamento dos doentes é realizado periodicamente, tipicamente em consultas de seis em seis meses. Com este tipo de sistemas de monitorização contínua, consegue-se fazer uma correcção muito mais fina evitando que o doente evolua para situações agudas.

“É uma ferramenta valiosa para o prognóstico e diagnóstico, de simples utilização”, assegura o investigador. Por isso, “estamos perante uma tecnologia que pode fazer a diferença na gestão das doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte em todo o mundo”.

A tecnologia, que está pronta a entrar no mercado, assim a indústria a pretenda implementar, foi desenvolvida no âmbito do projecto “SoundForLife”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e testada em doentes internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e em pessoas saudáveis (grupo de controlo).