Coimbra  18 de Agosto de 2017 | Director: Lino Vinhal

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CHUC: Falta de licença pára equipamento de radioterapia

17 de Abril 2017

Cerca de 600 doentes oncológicos não foram tratados devido a um equipamento de radioterapia que se encontra sem funcionar, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), segundo denunciou, hoje, o médico Carlos Cortes.

“O Serviço de Radioterapia do CHUC tem um equipamento que aguarda há mais de um ano a autorização de funcionamento por parte do Ministério da Saúde, fazendo com que mais de 12 000 sessões não se tivessem realizado”, refere o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM).

À porta do Serviço de Radioterapia do Edifício S, Jerónimo, no pólo HUC, Carlos Cortes assinalou que há uma grande carência de aceleradores lineares na região Centro, referindo, ainda, que um dos três equipamentos de radioterapia dos Hospitais de Coimbra está sem funcionar por falta de licença do Ministério da Saúde.

“A região Centro é extremamente deficitária neste tipo de equipamentos”, criticou o presidente da SRCOM, esclarecendo que, neste momento, existem cinco equipamentos mas, a breve trecho, irão perder-se dois dos que estão no CHUC, pelo fim da vida útil – um ainda este ano e outro em 2018”.

“A região deveria ter nove aceleradores, para cumprir a meta fixada em Conselho de Ministros, em 1995, de um acelerador linear por 250 000 habitantes”, defendeu, o que origina listas de espera em oncologia, “algo que não pode acontecer”.

A situação, frisou, “tem de ser rapidamente resolvida, visto que a média de aceleradores por habitantes é respeitada a nível nacional, mas o Centro está muito abaixo dessa meta”, acrescentou.

Segundo Carlos Cortes, a aquisição de novos aceleradores lineares é fundamental, por serem equipamentos de tratamento de doentes que sofrem patologias graves – com cancros -, cujo início do tratamento é muito importante para o êxito desse mesmo tratamento, sublinhando que a situação tem de ser resolvida com “absoluta urgência”.

O médico alertou para o facto de o Serviço de Radioterapia do CHUC ter três aceleradores lineares, mas um estar parado por faltar uma licença do Ministério da Saúde para poder ser utilizado, apesar de o Centro Hospitalar já ter pedido por três vezes a autorização à tutela.

Segundo o presidente da SRCOM, “ficaram por tratar 600 doentes e por fazer 12 000 sessões de radioterapia, em 2016, por o terceiro equipamento não estar a funcionar, quando muitos doentes poderiam ter o tratamento imediatamente, mas têm de esperar mais de quatro, cinco ou seis semanas para as sessões de radioterapia se iniciarem”.