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Botânico aponta sobreiro e azinheira para reflorestação

20 de Dezembro 2017

Um botânico de Coimbra, Jorge Paiva, apontou, hoje, o sobreiro e a azinheira como as espécies autóctones mais aptas a enfrentar alterações climáticas em Portugal.

Em declarações à Agência Lusa, o investigador sugeriu ao Governo que faça avançar o ordenamento florestal.

“As únicas árvores que temos capazes de suportar estas novas condições são, precisamente, os sobreiros e as azinheiras”, defende o ambientalista num postal de “boas festas” enviado à agência noticiosa.

Na sua habitual mensagem de Natal, Jorge Paiva alerta, ainda, para o facto de “a maior parte de Portugal” estar atualmente coberta de “formações florestais mono-específicas – eucaliptais e pinhais – contínuas, adjacentes e facilmente inflamáveis pela elevada concentração de produtos aromáticos dos eucaliptos e resina dos pinheiros”.

O biólogo, reformado, que, apesar de idoso, continua a desenvolver actividade científica na Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, salienta não ser por acaso que o sobreiro é a nossa árvore nacional e não o eucalipto.

Este reconhecimento da espécie que produz a cortiça, sobretudo no Ribatejo e no Alentejo, foi aprovado, pela Assembleia da República, em 2012, “embora um ministro tenha considerado o eucalipto”, espécie exótica oriunda da Austrália, “como o petróleo verde” de Portugal.

“Realmente, arde tão bem ou melhor do que o petróleo”, assegura o investigador, frisando, por outro lado, que o sobreiro e a azinheira crescem muito mais lentamente do que o eucalipto. “Ora, isso não interessa, pois numa sociedade de mercado só é relevante o máximo lucro, no mais curto espaço de tempo”, assinala.

Os montados de sobro e azinho, no Sul de Portugal, “demoraram dezenas de anos a formar-se, mas, hoje em dia, são rendíveis e sempre com o mesmo número de árvores, pois, à medida que umas morrem, há outras para as substituir”, refere o biólogo.