Coimbra  17 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Bienal de Arte vai “Curar e Reparar” património histórico de Coimbra

10 de Novembro 2017

A Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – “anozero” – volta, amanhã (11), para a sua segunda edição, focando-se no tema “Curar e Reparar”, com a intenção de “olhar para a cidade”.

Até 30 de Dezembro, 35 artistas (dos quais 16 portugueses e 19 internacionais) vão expôr as suas obras em diversos espaços emblemáticos da cidade de Coimbra, com destaque para os classificados como Património Mundial da Humanidade. Este ano, salienta-se, ainda, a extensão da bienal até à margem esquerda do Mondego, em particular ao mosteiro de Santa Clara-a-Nova, numa ala de 12 000 metros quadrados, que foi especialmente preparada para receber o polo central desta edição.

Para o director do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (a entidade responsável pela produção da anozero), Carlos Antunes, a utilização da parte desocupada do mosteiro (a outra é gerida pela Confraria da Rainha Santa Isabel) era uma vontade antiga e foi preciso um desafio irreverente de um amigo para escolher aquele espaço, na margem esquerda do rio Mondego, do qual se vê toda a cidade. Esta escolha representou, simultaneamente, um desafio para a equipa curatorial, face à escala que o espaço apresenta.

Lá dentro, o visitante vai poder percorrer um corredor de 200 metros, num trabalho de luz de Julião Sarmento, intitulado “Cura”; encontrar uma garagem quase submersa, onde se ouve Chico Buarque, uma peça de Gabriela Albergaria, construída a partir de objectos encontrados no mosteiro, e a voz de Louise Bourgeois a cantar músicas da sua infância. E ao contrário dos restantes espaços por onde vai estar a bienal, no mosteiro, haverá um percurso definido pela equipa curatorial.

Para esta edição de “anozero” foram comissariadas (encomendadas) 17 peças e que se apresentam como escultura; pintura; peças sonoras; vídeo; fotografia; instalação; desenho; performance; entre outras.

O sucesso do ano anterior ditou que, esta edição, exige-se mais da organização e da curadoria, desta vez a cargo de Delfim Sardo e Luiza Teixeira de Freitas .

Na apresentação oficial do evento, o curador explicou que esta edição “não é um conjunto de exposições, mas sim apenas uma exposição. É a cidade que se expõe”. “O que nos interessa é propor aos visitantes que tomem o repto da ‘reparação’ para poderem olhar um pouco melhor para cada situação, até porque as obras estarão expostas de forma a remeter o olhar de quem a vê para o local onde estão instaladas”, adiantou.

Além das obras expostas, vai haver ainda um ciclo de cinema, várias “performances”, exposições, lançamentos de livros, oficinas e concertos, tais como o do multi-instrumentalista americano Laraaji, no mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

As exposições são de entrada livre, à excepção da Galeria de História Natural do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, que por incluir o circuito turístico da UC estará disponível para visita através desse bilhete.

A bienal “anozero”, com um orçamento total de cerca de 325 000 euros, é uma iniciativa promovida e produzida pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Câmara Municipal, Universidade e Turismo do Centro, estando integrada no projecto “Lugares Património Mundial do Centro”, co-financiado pela União Europeia, através do Centro 2020.

Da bienal “anozero” 2017 vão fazer parte os seguintes artistas:

  • Alexandre Estrela;
  • Ângela Ferreira;
  • Buhlebezwe Siwani;
  • Céline Condorelli;
  • Danh Vo;
  • Dominique Gonzalez-Foerster;
  • Ernesto de Sousa;
  • Franklin Vilas Boas;
  • Fernanda Fragateiro;
  • Francis Alys;
  • Gabriela Albergaria;
  • Gustavo Sumpta;
  • Henrique Pavão;
  • James Lee Byars;
  • Jill Magid;
  • Jimmie Durham;
  • João Fiadeiro;
  • João Onofre;
  • Jonathan Uliel Saldanha;
  • Jonathas de Andrade;
  • José Maçãs de Carvalho;
  • Juan Araujo;
  • Julião Sarmento;
  • Kader Attia;
  • Louise Bourgeois;
  • Lucas Arruda;
  • Manon Harrois;
  • Marwa Arsanios;
  • Matt Mullican;
  • Paloma Bosquê;
  • Pedro Barateiro;
  • Salomé Lamas;
  • Sara Bichão;
  • William Kentridge.

Os espaços da cidade que vão fazer parte do circuito da Bienal de 2017 são:

  • Sala da Cidade;
  • sede do CAPC;
  • CAPC Sereia;
  • Galeria de História Natural do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra;
  • Colégio das Artes;
  • Maternidade de Bissaya Barreto – Jardim de Infância Ninho;
  • Mosteiro de Santa Clara-a-Nova;
  • ‘Museu’ de Francisco Tropa;
  • igreja do Convento de São Francisco.